sexta-feira, 26 de agosto de 2016

RITOS E RITUAIS - ADIVINHATÓRIOS E CURA

PARA O PROFESSOR:

RITO
Borres Guilouski
O rito religioso é um gesto de fé
Uma ponte para o divino
Que pode dispensar o uso da palavra
E pode servir-se do poder que a palavra tem
Pode conferir sentido
Apontar um rumo
Consolar e aquecer o coração de alguém
Pode despertar forças
Elevar sentimentos
E provocar transformações
Um rito sagrado pode também
Alimentar e fomentar esperanças
Pontuar novos estados de ser
Ajudar a viver mais leve
E equilibrar as emoções
Fazendo a pessoa sentir-se bem
comunicado religioso.
(Esta poesia está disponível no link https://www.google.com.br (texto de Borres e Diná)

Sugestão de leitura teórica www2.pucpr.br/reol/index.php/2jointh?dd99=pdf&dd1=7577


A fé e a medicina



Após acordar durante a noite angustiado, Alberto vai para o hospital. Chegando lá, um médico decide interná-lo. Enquanto espera no leito para a realização de alguns exames, Alberto observa outros pacientes e seus familiares rezando. Ele começa a refletir sobre a relação entre os métodos da ciência para tratar doenças e a fé dos pacientes que acreditam na cura através da vontade divina.
Assista também ao episódio: Ciência e religião
Video Player


PARA OS ALUNOS:


NOTÍCIA (material que pode ser usado em sala como disparador para o conteúdo)

Pajé faz ritual de cura indígena para tentar salvar garoto de cinco anos

Felipe estava internado em São Paulo com uma doença grave.
Segundo médicos, tratamento pode gerar efeitos positivos.
Do G1, com informações do Fantástico

A família de um índio de cinco anos internado em São Paulo decidiu chamar um pajé para salvar a vida do menino com um ritual indígena de cura.

Felipe, o indiozinho Kaiabi, tem uma doença grave. O fungo causador da criptococose se instalou nos pulmões e no cérebro do menino, que desenvolveu uma infecção respiratória crônica e também uma forma rara de meningite.
  “Esse fungo existe na natureza. Então a gente pode pegar através de fezes de pombos, eucaliptos, mata, e normalmente a gente aspira esses fungos. A maioria das pessoas resolve essa infecção, porque têm defesas boas e acabam não desenvolvendo o quadro”, diz Maria Aparecida Ferrarini, pediatra infectologista da Unifesp.

Em 20 % dos casos, porém, pessoas sem qualquer problema imunológico, como Felipe, podem contrair a doença. “É uma criança que a gente não tem o que responder. A gente faz um toque no rosto dele, a gente conversa, cochicha com ele. Ele é muito risonho, ele é muito bonzinho. Ele só fica chateado mesmo quando ele está com a dor, que aí ele não quer conversa, ele chora”, diz a pediatra.

A meningite aumenta a pressão dentro do crânio, o que provoca dores de cabeça muito fortes. O tratamento é penoso: há sete meses, Felipe luta contra a infecção. Primeiro em Mato Grosso, e, nos últimos dois meses, no hospital São Paulo. “Ele está esgotado de hospital, ele quer sair porque é muito difícil, permanecer, para uma criança que é criada livremente, imagina um índio, você ficar preso numa cama”, diz Maria Aparecida.

A vida de Felipe nunca mais será a mesma. “Ele está cego e isso é irreversível”, diz a médica. Apático, o menino não queria comer e nem sair da cama. 
Ajuda indígena
A família pediu, então, a ajuda de um pajé. Yawa Mi U foi trazido pelo projeto Xingu, da Universidade Federal de São Paulo, que há mais de 40 anos trabalha com índios e hoje cuida de Felipe. 

Para a tradição indígena, maus espíritos atrapalham o tratamento. “Porque ele tem os espíritos que está desviando o remédio da doença dele”, diz Yawa Mi U.

A pajelança levou quatro dias. “A febre que o paciente tem e a dor que o paciente tem penetra no corpo do pajé. A gente sente muito fraco quando a gente faz pajelança”, diz o pajé.

O indiozinho tomou também um banho com ervas medicinais e raízes. Esse remédio combate a febre e a dor do corpo. É um remédio que só o pajé sabe. 
Viagem
A reza não terminou no hospital. O Fantástico acompanhou o pajé, de avião e de barco, até a aldeia de Felipe, que fica na região do Xingu, em Mato Grosso.

A reportagem visitou a oca do indiozinho e conversou com o avô dele. Ele dorme junto com a mãe e com o pai. Felipe já avisou: quer uma rede só pra ele quando voltar. “Já tem rede nova pronta”, avisa o avô.

O velho Kaiabi mostra também os remos de que o neto tanto gosta. “Ele gostava de remar quando ele estava bom de saúde.” Ele diz ter saudade do neto: “Para a família, faz falta. Faz bastante falta”.

Foi ideia do avô chamar o pajé para rezar pelo menino. “Eu estava preocupado muito com o meu netinho, com o Felipe. Tudo isso doeu pra mim”.

Na tribo, começa uma nova pajelança que completa o trabalho feito em São Paulo. A primeira parte do ritual é uma festa para o Felipe. O pajé pede pela saúde do menino e os índios acompanham.

A cerimônia continua dentro da oca, com os objetos de Felipe. “Nós confiamos bastante que ele vai melhorar mais e vai voltar para cá, para a família dele”, afirma o pajé. 
Resultado positivo
Em São Paulo, uma surpresa. Felipe nunca deixou de tomar os remédios, mas de alguma forma a pajelança parece ter ajudado. A situação do menino mudou, diz Douglas Rodrigues, coordenador do projeto Xingu. “Ele não conseguia se movimentar. Tremia tudo, parece que sentia fraqueza”, diz o pai de Felipe, Mayup Kaiabi.

“Depois desses quatro dias de pajelança, hoje eu já vi outro Felipe, andando, sorrindo”, afirma Marcos Schaper, pediatra do projeto Xingu. Na última sexta-feira, o pequeno Kaiabi recebeu alta do hospital. Vai ficar em São Paulo por mais alguns dias, para fazer exames.

“Eu acho que não dá pra gente tratar a medicina do pajé, a medicina tradicional indígena com o mesmo enfoque que a gente faz com a medicina científica”, diz Rodrigues. “Pra mim o que importa é que o Felipe, que é a pessoa que eu cuido, acredita. Que a família do Felipe acredita que a comunidade do Felipe acredita. Isso pra mim basta”, diz o pediatra.
 (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1091133-5598,00-PAJE+FAZ+RITUAL+DE+CURA+INDIGENA+PARA+TENTAR+SALVAR+GAROTO+DE+CINCO+ANOS.html)

PARA COLAR NO CADERNO:




A PARTIR DAÍ, E DAS CONSIDERAÇÕES FEITAS PELOS ALUNOS, O PROFESSOR DEVERÁ TRAZER RITOS E RITUAIS DE CURA EM DIFERENTES ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS, CONTEMPLANDO AS 4 MATRIZES: INDÍGENA (NA ATIVIDADE ACIMA), OCIDENTAL, AFRICANA E ORIENTAL.


CRENÇAS E RELIGIÕES (texto de apoio ao professor)


Cleyde Rodrigues Amorim 
Eronildo José Silva
 
O Sagrado, o Pensamento Religioso
 
A busca de respostas para o inexplicável a partir de um pensamento simbólico e religioso pode ter origem nos primeiros humanos. Pesquisas arqueológicas levantam a hipótese de que nossos ancestrais da pré-história já estariam representando símbolos religiosos em suas pinturas rupestres (em cavernas e rochas), datando de, pelo menos, 10.000 anos a.C. Apesar de não se saber ao certo quando surgiu o pensamento simbólico e religioso, a concepção da existência do sagrado acompanha a condição humana desce muito cedo. Por que?  Porque nós somos animais com consciência da transitoriedade por este mundo, o que, aliado à capacidade de simbolização e inteligência humana, nos faz procurar por alternativas à precariedade de nossa condição física e emocional, diante dos desafios a que somos submetidos. Temos a capacidade de produzir símbolos, representações, a partir da realidade vivida ou imaginada. Se na pré-história os desafios eram mais materiais e vinculados à sobrevivência física (obtenção de alimentos, proteção contra outros animais e contra as intempéries da natureza), hoje, apesar do desenvolvimento tecnológico, enfrentamos desafios também difíceis e as angústias humanas não cessaram, por isso continuamos produzindo respostas a elas.
Segundo um dos primeiros estudiosos sobre religiões, Émile Durkheim (1989), não há religiões que sejam falsas. Todas são verdadeiras à sua maneira: todas respondem, ainda que de maneiras diferentes, a determinadas condições da vida humana. (idem, idem: 31). Por isso, todas são comparáveis. Assim, os sistemas de crenças e dos cultos apresentam representações fundamentais e atitudes rituais que, apesar da diversidade, caminham para o mesmo significado objetivo, e exercem as mesmas funções, e são estes elementos que constituem o que existe de permanente na religião (idem, idem: 33).
Assim este autor demonstra que os principais sistemas de representações que o homem produziu do mundo e de si mesmo, como as noções de tempo, espaço, de gênero, de número, de causa, de substância, de personalidade, etc. são de origem religiosa.
Na Antiguidade, as religiões assumiam papéis importantes, regulando condutas, ética e moral, legislando, educando, ou seja, cumprindo funções de diferentes instituições que temos hoje.
Para se pensar sobre as religiões é necessário ter em mente que elas se estruturam sobre um pensamento religioso, sobre símbolos sagrados e se efetivam através de rituais religiosos. Para que o pensamento sagrado se transforme em ação é necessário que siga uma série de procedimentos mágicos por meio dos quais se acredita operar a alteração da realidade, do imediatamente visível, no plano simbólico. Estes procedimentos são os rituais que podem contar com diversos elementos: a expressão verbal (pronunciar palavras, o canto de hinos, mantras), a expressão corporal (gestos, imposição de mãos, danças e performances), a manipulação e/ou ingestão de líquidos (água, vinho, poções com ervas), alimentos e outros elementos a que se atribui uma força, uma energia, um poder que está, naquele momento acompanhando tais elementos ou é a essência deles (a força vital, o axé, o mana). O que transforma todos esses elementos e procedimentos em sagrados é o pensamento sagrado, expresso pela fé, pela crença. Tal pensamento simbólico também envolve a sacralização e profanização de lugares reais (céu, matas, rios) ou imaginários (céu, inferno, éden, etc). Os lugares imaginários partem em geral de concepções mitológicas, envolvendo noções e conceitos fundamentais para as crenças religiosas. Os lugares reais onde as ações religiosas se desenvolvem também têm uma forte dimensão simbólica, e é por serem considerados ideais ou ritualmente preparados para esse fim que tornaram-se sagrados. É o caso dos locais de culto, onde são feitas as atividades religiosas, os rituais (templos e outros lugares onde se processam os ritos). Os rituais religiosos envolvem a magia, presente em todas as religiões. É através da magia que determinados elementos e objetos adquirem caráter sagrado ou tornam-se sagrados (imagens, mantos, alimentos, bebidas e outros) fazendo com que sejam sempre necessários ao ritual. Para Durkheim,
as representações religiosas são representações coletivas que exprimem realidades coletivas; os ritos são maneiras de agir que surgem unicamente no seio de grupos reunidos que se destinam a suscitar, a manter, ou a refazer certos estados mentais desses grupos (idem:38).

Por que saber sobre religiões?
 
Além das questões colocadas acima, ou seja, da importância do pensamento religioso para entender como a humanidade pensa e se organiza, é sabido que cerca de 85% dos conflitos e guerras que acontecem no mundo são motivados por razões étnicas e/ou religiosas. Sabemos também que a intolerância se alimenta da ignorância e do etnocentrismo. Para tentar minimizar esta questão segue uma apresentação breve, iniciando pelas primeiras religiões conhecidas, seguindo-se pelas grandes religiões que se espalharam e pelo planeta e das quais derivaram-se muitas outras.
 
O TOTEMISMO, O ANIMISMO E O XAMANISMO

As primeiras formas religiosas estudadas são o totemismo, o animismo e o xamanismo.
Em termos gerais, o totemismo parte da crença na existência de um relações particulares, vínculo de afinidade, ancestralidade ou parentesco de um grupo de pessoas, de uma tribo ou clã com uma espécie determinada de coisas materiais – os totens. Os totens podem ser animais, elementos da natureza ou objetos criados para representar esses elementos. É a crença na existência do sagrado que faz com que o grupo atribua forças mágicas e sobrenaturais ao totem e também crie tabus quanto à sua ingestão (no caso de animais e plantas), manipulação (criando a proibição de ações e usos), e contaminação (distinguindo o estado de pureza e agindo contra a impureza por meio de rituais de purificação).
Segundo Durkheim, O animismo
 tem por objeto os seres espirituais, os espíritos, almas, gênios, demônios, divindades, agentes animados e conscientes como o homem, mas que se distinguem dele pela natureza dos poderes que lhe são atribuídos e pela característica particular de não afetar os sentidos da mesma maneira: normalmente são perceptíveis ao olho humano  (idem, idem: 80).
Não se sabe ao certo se o animismo seria a religião mais primitiva, ou se ela teria derivado do culto da natureza (naturismo).  Ambas estariam na base do que hoje se conhece como Xamanismo que se configura como prática religiosa envolvendo a magia, a cura, e a relação com seres míticos e sobrenaturais, representados por espíritos ou almas. Por apresentar semelhanças com as práticas religiosas dos indígenas brasileiros, o Xamanismo é frequentemente associado à pajelança, pois ambos se realizam a partir da presença de um sacerdote incumbido de realizar curas e males físicos ou de outras origens - o Xamã e o Pajé.
Estima-se que existiam Brasil, até da chegada dos colonizadores europeus, cerca de cinco milhões de indígenas. E, do que se pode investigar sobre suas religiões, há algumas características gerais que seriam mais freqüentes, como o culto à natureza deificada, a existência do pajé com poder de cura e acesso ao mundo dos mortos, a antropofagia e o uso de adornos, instrumentos mágicos e fumaça, com função ritualística. Acredita-se que mesmo convertidos, os índios não abandonaram suas crenças, o que fez com que a conversão tolerasse ou mesmo incorporasse elementos das religiosidades indígenas, fazendo surgir manifestações religiosas como a “santidade”, no séc. XVI.
Na Pajelança, o sacerdote se utiliza de diversos elementos para as práticas mágicas e terapêuticas: instrumentos musicais (maracá, zunidores) para captura e afastamento de espíritos malignos, tabus e restrições sociais e alimentares, além de uma série de práticas terapêuticas que incluem: o uso do tabaco (cachimbos) e outras plantas psicoativas, fumaça/ defumação, manipulação do corpo do doente com a imposição de mãos, fricções, extração da doença por sucção/ vômito, escarificação no corpo do doente com dentes de animais ou fragmentos de cristais.
Atualmente, mesmo entre tribos que já tem bastante contato com os não-índios, sobrevivem as práticas religiosas tradicionais que, em muitos casos associam elementos, religiosos ou não, de outros grupos com os quais convivem (medicamentos e outros processos de cura).
AS RELIGIÕES MAIS CONHECIDAS NO MUNDO
 
ISLAMISMO
 
O Islamismo é uma das grandes religiões do mundo atual, foi fundada por Mohammad (Maomé) no século VII d.C. Os adeptos da religião Islâmica são chamados de Muçulmanos os quais acreditam que só existe um único deus que é Allah, e Mohammad é seu profeta.
A palavra Islamismo procede de Islã, que significa submissão a Deus; a expressão Muslin (muçulmano) designa o crente ou fiel, ou seja, aquele que submete (a Deus).
Mohammad nasceu na cidade de Meca no ano de 570. Filho de uma família de comerciantes passou parte da juventude viajando e conhecendo diferentes culturas e religiões. Com 25 anos casa-se com a viúva que o havia contratado para conduzir suas caravanas.
Com o casamento Mohammad ganhou prestígio e riqueza dando-lhe tranqüilidade material. Mesmo desenvolvendo as atividades profissionais paralelamente começou a fazer retiros espirituais sendo que em um deles aos 40 anos de idade recebe a visita do anjo Gabriel que lhe transmitiu a existência de um único Deus e os princípios básicos da religião Islâmica. “Mohammaad tinha que guardar na memória as orientações divinas, pois não sabia ler nem escrever. Valer lembrar que ‘o analfabetismo abrangia quase a totalidade da população’” (SOUZA, 2001:54).
A partir da revelação, começa sua fase de pregação da doutrina monoteísta, na cidade de Meca, local controlado pela tribo Coraixita a qual era guardiã da Caaba (local onde está a pedra que Allah enviou do céu), porém encontra grande resistência e oposição dos comerciantes, pois as tribos árabes adeptos da religião politeísta, adoravam  vários deuses tribais e a cidade de Meca era um centro de homenagem a esses deuses com um grande fluxo de pessoas.
Em Meca os comerciantes aproveitavam este fluxo para comprar e vender e, portanto não aceitavam a pregação de Mohammad que os deuses eram falsos ídolos e que só existia um único Deus.
No ano de 622 em função das perseguições teve que emigrar para a cidade de Yatrib. Nessa cidade Mohammad consegue apoio em função das tribos serem rivais dos Coraixitas. Este acontecimento é conhecido como Hégira e marca o início do calendário muçulmano. Em Yatrib a religião muçulmana se consolidou e a cidade passou a se chamar Medina (cidade do profeta).
Nessa época pregava que o islamismo deveria triunfar por meio da Guerra Santa (Djihad) e foi assim que no de 630 Mohammad atacou e conquistou a cidade de Meca. Após a conquista ordenou a destruição de todos os ídolos da antiga religião politeísta, preservando apenas a Caaba.
A guerra não é um objeto do Islão, nem a acção normal dos muçulmanos. É só uma solução última, utilizada nas circunstâncias mais extraordinárias, quando todas as outras medidas fracassam. Este é o verdadeiro estatuto da guerra no Isão. O Islão é a religião da paz: o seu significado é paz; um dos nomes de Deus é paz; a saudação diária dos muçulmanos é paz; o paraíso é a casa da paz; o adjetivo <muslin-muçulmano> quer dizer <pacifico>. A paz é natureza, o significado, o estandarte e o objetivo do Islão. (ABDALATI, 1989:229)
A religião Islâmica criada no século VII teve um papel fundamental, pois representa a união política e a criação do mundo árabe onde todas as tribos se uniram em torno de um ideal comum, a religião.
Após a morte de Mohammad, dois grupos se formaram no Oriente Médio: os xiitas e o sunitas. São chamados de xiitas aqueles que seguem o Alcorão ao pé da letra, são mais rigorosos e defendem uma forma governo extremamente rígida enquanto os sunitas além do alcorão seguem também o Sunna, livro em que estão registrados as idéias e atos do profeta sendo mais moderados e flexíveis.
Os Sunitas eram partidários de um chefe de Estado eleito pelos crentes e sustentavam que o Sunna, livro dos ditos e atos de Maomé, era uma importante fonte de verdade para o islamismo. Os xiitas, por sua vez, defendiam um ideal absolutista de Estado, tendo como chefe religioso e político um descendente do Profeta, só admitindo o Corão como fonte de ensinamentos. (VICENTINO,1997:120-121)
O livro sagrado para os muçulmanos é o Alcorão ou Corão, livro que reúne as revelações que Mohammad recebeu do anjo Gabriel.
O Alcorão também registra tradições religiosas, passagens do Antigo Testamento judaico e cristão. Os muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo Final, com a ressurreição de todos os mortos. A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que reúne os dizeres e feitos do profeta.
Os preceitos religiosos que todo mulçumanos deve praticar são: crer em Alá como seu único Deus e Mohammad como mensageiro de Deus; fazer cinco orações diárias curvado em direção a Meca; pagar o zakat (contribuição para ajudar os pobres); fazer jejum no mês de Ramadã (nono mês do calendário muçulmano) e peregrinar para Meca pelo menos uma vez na vida.
Deus prescreveu estas práticas de maneira a servirem os fins espirituais e satisfazerem as necessidades. Algumas destas práticas devem fazer-se diariamente; outras, uma vez por semana; outras são anuais; e outras exigem-se pelo menos  uma vez na vida. Portanto, elas abrangem todos os dias da semana, todas as semanas do mês, todos os meses do ano e todos os anos da vida e, o que é mais importante, marcam a vida de cada ser com um toque divino, se ele cumpre o que Deus prescreveu. (ABDALATI, 1989:93)
 
JUDAÍSMO
 
Na antiguidade ocidental a maioria das manifestações religiosas eram politeístas (existência de vários deuses). A primeira religião considerada monoteísta (existência de apenas um Deus) é o judaísmo. De acordo com o judaísmo o povo Hebreu foi escolhido por Deus prometendo-lhes a terra prometida. Atualmente a fé judaica é praticada em várias regiões do mundo, porém é no estado de Israel que se concentra um grande número de praticantes.
Os livros sagrados para os judeus  são chamados de Tanach (Bíblia judaica) registram a histórias do povo Judeu (parte esta no Antigo Testamento). Nestes livros estão a criação do mundo (Gênesis), o Êxodo, a formação do Reino de Judá, sua divisão, as sucessivas ocupações, a expulsão da Palestina entre outras informações. (CISALPINO, 1994:52)
 O Tanach é composto pela Tora (leis), Neviim (profetas), Ktuvim (escritos: Salmos, Provérbios e o Livro de Jó), as cinco Meguilot (Cânticos dos Cânticos, Ruth, Lamentações, Eclesiastes, Ester) e os Livros históricos (Daniel, Esdras, Neemias, Crônicas I e II).
Além do Tanach existe o Talmude, livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários. Neles estão contidos as regras básicas e as orientações aos fiéis sobre higiene e limpeza, casamento, contribuições financeiras, sacrifício de animais, alimentação e festividades.
Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá. Os homens judeus usam a kippa, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações.
A história do povo Hebreu é datada de 1.800 a.C. quando Abraão recebe um sinal de Deus para abandonar o politeísmo e adotar o monoteísmo e determina que eles devam partir em busca da terra prometida chamada Canaã (atual Palestina).
O episódio da saída das tribos hebraicas do Vale Ur em busca da “Terra Prometida” inaugura, por assim dizer, o fenômeno da união de povos pela força em um deus único. A afirmação de que todas as tribos hebraicas, que viviam de forma bastante autônoma até então, deveriam unir-se e empreender uma longa jornada em nome da vontade de Deus é, sem dúvida, um momento marcante do monoteísmo. (CISALPINO, 1994:51)
Segundo a história Isac, filho de Abraão tem filho chamado Jacó que por ordem de Deus muda seu nome para Israel. Jacó (Israel) teve 12 filhos e dos quais darão origem as 12 tribos que vão formar o povo Judeu. Por volta de 1.700 o povo Judeu migra da Palestina para o Egito.
Em sua estada no Egito são escravizados pelos faraós. A escravidão dura aproximadamente 400 anos quando Moises comanda a fuga (êxodo) do povo Hebreu para a atual Palestina. O período de retorno dura 40 anos e é durante este período que Moises recebe a revelação dos 10 mandamentos.
O judaísmo começa com Abrão que parte de Ur da Caldéia, na Babilônia, para Canaã e depois para o Egito, por volta de 1700 a.C. São tidos como patriarcas Abraão e Isaac e Jacó. Jacó estabeleceu-se no Egito e seu filho José se torna primeiro ministro do Faraó. Mais tarde, oprimidos, constrangidos ao penoso trabalho de fabricar tijolos para construções reais, os israelitas fugiram, guiados por um deles, Moisés. Penetram no deserto onde viveram 40 anos. Chegados ao Sinai Moisés recebeu de Deus a Lei, o Decálogo. (WILGES, 1982:52)
Ao se fixaram na Palestina após o êxodo, os Hebreus alteram a sua forma de organização nômade para uma fixa e coletivista. Em função das conseqüentes disputas com outros povos (cananeus, moabitas, meianitas, amalicitas, amonitas) que já habitavam o local os Hebreus necessitam de chefes com capacidade de unir o povo em torno de um objetivo comum. Esses chefes eram chamados de juízes os quais eram escolhidos pelo seu prestigio no campo militar, político e religioso. (NADAI, 1987:60)
Com a chegada dos filisteus na Palestina uma nova forma de organização foi adotada para combater o invasor. Implantou-se uma monarquia que possibilitasse a união das 12 tribos que na verdade era a união territorial. O primeiro Rei foi Saul, no entanto quem fez a monarquia se tornar unitária de fato foi Davi. Davi foi responsável por conquistar o território palestino organizando um exercito permanente, constituído por mercenários. Tornou Jerusalém a capital e organizou a administração. (NADAI, 1987, 61)
Seu sucessor foi Salomão. No reinado de Salomão foi um período de ambulante riqueza, principalmente na capital. Com a sua morte encerrou a monarquia unitária e o reino foi dividido em dois: Reino de Judá e Israel. Começa uma longa história de enfraquecimento político.
Ao longo dos séculos os Hebreus foram dominados por vários povos assírios, egípcios, babilônios, persas, macedônios, selêucidas e finalmente pelos romanos.
A primeira diáspora judaica ocorre com a invasão babilônica em 721. O imperador babilônico destrói o templo de Jerusalém e deporta grande parte da população judaica.
A segunda diáspora ocorre no século II d.C. com os romanos que destróem a cidade e provocam a saída dos judeus para diversas partes do planeta. Embora estando espalhados pelo mundo os Judeus preservaram a sua cultura e religião e em 1948, o povo Judeu retoma o caráter de unidade após a criação do estado de Israel.
 
CRISTIANISMO
 
O cristianismo nasceu na Palestina, que fica no Oriente Médio correspondendo hoje ao Estado de Israel. Nessa região vivia o povo Judeu (Hebreu) e era dominada pelos romanos. A raiz do cristianismo está alicerçada no judaísmo, por isso é comum se falar em religião judaico-cristã.
De acordo com a religião judaica e as profecias, nasceria um descendente do Rei Davi o qual seria o Messias libertador e restaurador do Reino de Israel. Foram muitos que declararam ser o Messias, mas só um conseguiu provocar um impacto histórico e cultural no ano I, Jesus Cristo.
O Cristianismo surgiu no século I da Era Cristã, com Jesus e um grupo de pessoas, na maioria judeus da Galiléia (Norte de Israel). Eles seguiam a Jesus e ele lhes ensinava a lei do amor e a Boa Nova (o anúncio da salvação). Surgiu, assim, como “um movimento de pobres”, como uma associação de pessoas humildes (os apóstolos e os discípulos) que proclamavam Jesus como o verdadeiro Messias prometido no Antigo Testamento. O Cristianismo, destarte, é religião fundada em Jesus Cristo, sob as bases do judaísmo, e bastante preocupada em realizar a fraternidade entre as pessoas. (SOUZA,2001:47)
Acredita-se que Jesus Cristo nasceu numa família judaica e pobre. Seu pai, José, era carpinteiro. Durante a sua vida, Jesus viveu sempre em companhia de pessoas pobres, não discriminava ninguém, nem ladrões, pessoas com doenças contagiosas (lepra) ou mesmo as prostitutas.
Sobre a juventude de Jesus nada se sabe, o que se tem informação é que com 30 anos de idade ele iniciou as suas pregações na Palestina. Anunciava que era o Messias tão esperado pelos Judeus. As suas mensagens não eram apenas destinadas ao povo judeu, mas a todos os homens de fé e boa vontade. Pregava que seu reino não era o da terra, mas o do céu, em função de ser filho de Deus.
Seus ensinamentos agradavam as pessoas excluídas e oprimidas, o que gerava irritação a muitas pessoas poderosas que controlavam o poder local, principalmente as autoridades judaicas que o consideravam um apóstata (abandono da fé uma igreja). A mensagem de Jesus quebrava a essência do Império Romano ao separar a fé e o Estado na frase “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Não podemos afirmar que os cristãos constituíam um perigo para o Estado, no entanto podemos dizer que introduziam uma nova visão da política, que deveria aparecer como subersiva às autoridades imperiais. (MELO&PIRATELI, 2006:38)
Tendo uma grande rejeição das autoridades, Jesus Cristo, foi traído por um de seus apóstolos, conhecido como Judas. Foi preso e condenado à morte por crucificação por volta no ano 30 ou 32 da nossa era.
Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, principalmente, pelo Estado Romano.
O cristianismo manifestava, em sua visão de mundo, dois elementos que o distanciava do mundo cultural romano. O primeiro trata-se de uma distinção entre religião e política, ou seja: não reconhecia o imperador como chefe supremo da religião (a autoridade civil perdia a sacralidade que lhe dava plenos poderes nos campos religioso e político). O segundo refere-se à reinvindicação da liberdade de consciência no relacionamento com Deus. Os cristão foram os primeiros a defenbder a liberdade de conciências e a laicidade do Estado ( a recusa de culturar o imperador era apenas consequência de uma questão mais ampla). MELO&PIRATELI, 2006:38)
Os princípios básicos do Cristianismo são: crença em um único Deus (monoteísmo), igualdade de todos perante Deus (caráter universal), amor ao próximo, crença da ressurreição dos corpos e no julgamento final e a certeza da salvação para todos aqueles que cumprirem os mandamentos da fé.
A história de Jesus e a sua doutrina então contida no livro chamado Novo Testamento distribuído em quatro evangelhos (Lucas, Marcos, Mateus e João), os quais foram escritos entre os anos 70 e 90. Todas as informações contidas nestes evangelhos foram recolhidas das tradições transmitidas oralmente pelas primeiras comunidades cristãs.
Os principais divulgadores da doutrina cristã após a morte de Jesus Cristo foram os apóstolos em função de serem as principais testemunhas da vida de Jesus e seus ensinamentos e partiram para pregar a nova mensagem circunscrita inicialmente apenas para o povo Judeu.
No entanto a expansão do cristianimo  fora do mundo Judeu deve ser creditada a Paulo de Tarso.
Tarso nasceu no inicio do século I e quando se encontrava em missão anticristã, Cristo apareceu-lhe no caminho de Damasco. Após este encontro se converteu e tornou-se o ‘apóstolo dos gentios’, empreendendo longas viagens pela Ásia Menor, Chipre, Grécia, Macedonia e Roma. Morreu mártir entre 62 e 64. Sua cartas representam o documento mais antigo e mais importante da igreja primitiva, refletindo as crises do cristianismo nascente. (NADAI, 1987:163)
Com isto a doutrina cristã espalhou rapidamente pela Ásia, Europa e África, principalmente entre a população mais simples e carente, pois eram mensagens de paz, amor e respeito. A religião fez tantos seguidores que no ano de 313, da nossa era, o imperador Constantino concedeu liberdade de culto. No ano de 392, o cristianismo é transformado na religião oficial do Império Romano.
A Bíblia é o livro sagrado para os cristãos e está divida em duas partes; Antigo e novo testamento. Na primeira parte é contada a criação do mundo, as tradições judaicas, as leis, a vida dos profetas e vinda do Messias e na segunda parte trata exclusivamente sobre a vida do Messias. Os cristãos têm como principais festas religiosas: Natal (nascimento de Jesus), Páscoa (ressurreição de Cristo) e Pentecostes (descida e unção do Espírito Santo aos apóstolos).
Por divergências culturais, políticas e teológicas, o cristianismo sofreu várias divisões. Em 431 surge a Igreja Síria Oriental, em 451 a Igreja Copta Ortodoxa e Igreja Síria Ortodoxa. Em 1054 ocorre um grande cisma (divisão) da Igreja. A igreja ocidental Romana ficou com o nome de Católica e a Igreja oriental Bizantina como ortodoxa.
No século XV nova ruptura ocorre, surgindo a reforma protestante. Surge a Igreja Luterana, Presbiteriana (calvinista) a qual posteriormente se divide em Presbiteriana Independente, Presbiteriana do Brasil, Presbiteriana Conservadora, Presbiteriana Fundamentalista, Presbiteriana Renovada e Presbiteriana Unida do Brasil e a Igreja Anglicana. A igreja Batista surge no século XVII e no século XVIII a Igreja Medotista e Adventista. No século XX surge um movimento de renovação na Igreja com objetivo de despertar o entusiasmo religioso. Esse movimento é conhecido como Pentecostalismo.
Costuma-se classificar as Igrejas Pentecostais em: clássicas (Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil) e pentecostais da segunda geração (Igreja do Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo) e Neopentecostais (Nova Vida, Deus é Amor, Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Luz do Mundo, Volta de Cristo, Maranata, Sara Nossa Terra, Renascer em Cristo entre outras).
Também fazem parte outras igrejas de inspiração cristã (Testemunhas de Jeová, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon) e Católica Apostólica Brasileira).
Segundo João Décio Passos em sua obra “Pentecostais – origens e começo”, a história do pentecostalismo pode ser dividida em três fases distintas:
Outros dividem a história em três fases distintas, marcadas por contextos históricos específicos, dos quais decorrem formações religiosas diferentes. Paul Freston utiliza o termo onda para designar essas fases: 1ª onda, que vais da fundação à década de 1950 (igrejas Assembléias de Deus e Congregação Cristã no Brasil); 2ª onda, da década de 1950 à década de 1970(inúmeras denominações, sendo as mais expressivas a Evangelho Quadrangular; O Brasil para Cristo e Deus é Amor); 3º onda, da década de 1970 a nossos dias (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça, Renascer em Cristo e Sara nossa Terra são as principais) representantes).  (PASSOS, 2005:54)
 
XINTOÍSMO
 
Os dois principais livros que retratam a história do Xintoísmo são: Kojiki (anais das coisas antigas, de 712 a.C.) e o Nihongi (crônicas do Japão, de 720 a.C.). Estes dois livros retratam a origem do Japão e dos deuses que fazem parte da cultura japonesa. O xintoísmo não teve um fundador, ele surge no Japão por volta do ano 500 a.C. com ritos e práticas simples, sem código moral, sem mandamentos e sem instituição.
Segundo o xintoísmo todas as coisas e todos os seres foram criados pelos deuses, bem como todas as ilhas que compõem o Japão.
A palavra Shintó que dá origem ao termo xintoísmo significa o “caminho dos deuses” e demarca a oposição entre xintoísmo e o caminho de Buda.
Para os xintoístas os mortos se tornam deuses e seus espíritos (os kamis) passam a ter uma grande representação para os vivos, por isso o culto dos antepassados é um dos rituais de grande significação para os japoneses. (WILGES, 1982:37-38)
O Xintoísmo enquanto religião se tornou tão importante que o imperador construiu no Palácio Imperial um santuário, onde se venera a deusa solar, os antepassados do imperador e os kami de todo o povo japonês. Atualmente pelo seu valor histórico e religioso é considerado o santuário mais importante do Japão. A religião Xintoísta por longos anos foi a religião oficial no Japão, só após a segunda guerra mundial que deixou ser oficial dando liberdade de cultos as todas as outras religiões.
Das doutrinas Xintoísta e Budista direta ou indiretamente surgiram novas religiosas que hoje são chamadas de novas religiões japonesas. Estas novas religiões se propagaram por vários países, inclusive o Brasil.
No Brasil as novas religiões japonesas que aqui chegaram, vieram através dos imigrantes nipônicos que desembarcaram no Brasil. Inicialmente restritas apenas aos integrantes da comunidade nipo-brasileira, tais religiões - pelo menos, parte delas experimentou uma importante expansão entre pessoas sem ascendência japonesa a partir dos anos 70. (TOMITA, 2004:88-102)
Dentre as religiões japonesas com maior representatividade no Brasil temos: Igreja Messiânica ou Johrei Center, Seicho-no-Ie, Perfect Liberty, Tenrikyo e Mahikari.
 
HINDUÍSMO
 
O Hinduísmo é uma das religiões mais antigas. Não tendo um fundador, a religião hinduísta se formou da união de crenças de outros povos com a crença dos habitantes da Índia.  O Hinduísmo, na verdade, se compõe de toda uma intersecção de valores, filosofias e crenças, derivadas de diferentes povos e culturas.
Na sociedade Hindu tudo que existe, desde a natureza até a divisão da sociedade em castas, é justificada pela religião.
A religião Hindu está alicerçada em duas fases: a primeira fase Hinduísmo Védico e a segunda, Hinduismo Bhramânico.
Na primeira fase do Hinduísmo, que recebe o nome de Hinduísmo Védico, é a mais antiga, quando a tradição oral do hinduismo era registrada em livros chamados Vedas (CISALPINO, 1994:27). Na religião Hindu existe um grande número de deuses. No período Védico temos o culto aos deuses Dyaus, ou Dyaus-Pitar (Deus do Céu, em sânscrito), que era o deus supremo, consorte da Mãe Terra. Doador da chuva e da fertilidade, ele gerou todos os outros deuses.
No período Védico se tinha como base e referencial a valorização do conhecimento, do saber. Acrescenta-se ainda ao Vedismo o significativo valor aos sacrifícios em favor dos antepassados e aos deuses.
Com a evolução da religião hinduísta e tendo influência de outros povos principalmente dos árias (indo-europeus – povos considerados nobres), tem-se uma nova fase chamada de Bhramanismo. Esta é resultado de um desenvolvimento do vedismo.
Aos valores já existentes agrega-se o conceito de reencarnação, ou seja, as condutas e práticas da pessoa determinam a sua reencarnação (karma) e a salvação que para os Hindus se chama nirvana (libertação). A salvação ocorre quando alma se liberta dos ciclos de reencarnação e reencontra-se com o todo, o absoluto, Bhrama. (CISALPINO, 1994:27-28).
Nessa fase ocorre à ascensão de Brahma, a divindade que simboliza a alma universal. Brahma é um dos deuses que compõem o Trimurti (Trindade) do Hinduísmo. Ele representa a força criadora. Os dois outros deuses são Vishnu, o preservador, e Shiva, o destruidor. Neste momento, surge a figura dos brâmanes, que compõem a casta sacerdotal da tradição hindu. Os rituais ganham uma série de componentes mágicos e elaboram-se idéias mais complexas acerca do Universo e da alma.
Outros deuses fazem parte da cultura Hindu como Indra, senhor dos deuses, representado como um touro, Aurora, mãe de todas as criaturas, representada como uma vaca, entre outros. CISALPINO, 1994:26).
A partir do século XI a Índia é invadida pelos muçulmanos e durante aproximadamente 500 anos, o Islã se desenvolveu na Índia e na maior parte do tempo foi intolerante com a religião hinduísta. Através do contato com a religião muçulmana surgiu na Índia uma nova religião chamada Sikhismo que é uma ramificação do Hinduismo e do Islamismo.
 
BUDISMO
 
O termo buda significa sábio, iluminado, pessoa que conheceu a verdade. Desta palavra adveio o termo budista para os praticantes desta religião.
 O budismo é uma doutrina criada pelo príncipe Sidharta Gautama no século VI a.C., filho do rei da tribo de Sakya e pertencente a uma família nobre foi educado no hinduismo brâmane, embora rejeitasse alguns pilares do bramanismo, como por exemplo, a divisão da sociedade em castas. Aos 29 anos abandona a sua posição e sua riqueza e passa a viver com extrema simplicidade buscando compreender porque o povo sofre. Na busca por compreender estudou com vários mestres e desenvolveu várias praticas tais como: jejuar, sacrifícios e castigos corporais. Estas práticas não lhe deram as respostas e nem responderam as sua dúvidas e por isso deixou de praticá-las. Um dia sentou-se sob uma figueira sagrada e após longas horas de meditação, atingiu a iluminação e a descoberta da verdade. (CISALPINO, 1994:30).
Sidharta Gautama não deixou nada escrito, todas as suas pregações foram reunidas e codificadas no ano 253 a.C. A doutrina budistas têm como base as Quatro Nobres Verdade e no caminho sagrado das oito direções. As quatro verdades são: A vida é cheia de dor; a origem da dor é o desejo; o fim dar dor só é possível com o fim do desejo e a superação do sofrimento se alcança através do sagrado caminho das oito direções, que conduz à perfeição do ser. Os caminhos sagrados das oito direções são:
a)    Fé pura: a verdade é o guia do homem;
b)    Vontade pura: ser sempre calmo e nunca fazer dano a nenhuma criatura;
c)    Palavra pura: nunca mentir, nunca difamar ninguém e nunca usar a linguagem grosseira ou áspera;
d)    Ação pura: nunca roubar, nunca matar e nunca fazer nada de que uma pessoa possa mais tarde arrepender-se ou envergonhar-se;
e)    Meios de existência: nunca escolher uma ocupação que seja má, tal como a falsificação, manejo de coisas roubadas, usura e semelhantes;
f)     Atenção pura: procurar sempre o que é bom e afastar-se do que é mau;
g)    Memória pura: ser sempre calmo e não permitir-se pensamentos que estejam dominados pela alegria ou tristeza;
h)   Meditação pura: consegue-se quando todas as outras regras foram seguidas e a pessoa atingiu o nível de paz perfeita. (WILGES, 1982:52)
         Na doutrina budista não há a crença em um deus e nem Buda é um deus. A salvação budista é feita pelo próprio homem, pois segundo a doutrina todos os seres podem chegar a atingir o estágio de Buda, ou seja, de iluminação, basta praticar as Quatro Nobres Verdades e o Caminho Sagrado das oito direções.
Na religião budista se pratica o culto aos antepassados, através de altares chamados de Butsudan. No Butsudam são assentados os antepassados da família os quais recebem orações diárias com objetivo de evoluírem. Para os budistas a pessoa está sujeita as sucessivas reencarnações que podem ser boas ou más, ou seja, tudo dependerá das ações e práticas que realizou na sua vida anterior.
Embora o Budismo tenha nascido na Índia, ele se propagou em outros países: Sri Lanka, Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja, Tibet, Mongólia, Manchúria, Rússia, Nepal, Japão, China e também em muitos outros países do Ocidente.
O Budismo se dividiu em várias correntes. As principais são: o Budismo Hinayama, o Budismo Mahayama, o Budismo Vajrayana e o Budismo Lamaísmo.
 
TAOÍSMO
 
Lao Tsé foi o fundador do taoísmo. A palavra tao significa ‘caminho’, ‘principio universal da vida’, ‘razão suprema’, ‘procedimento correto’.(CISALPINO, 1994:37) A religião Taoísta em seu inicio por ser mais uma filosofia que busca a integração do individuo a ordem universal pela compreensão da essência do universo não possuía cultos sistematizados e nem uma hierarquia sacerdotal, com o passar dos anos passa a se constituir como uma religião de salvação edificando igrejas hierarquizadas com sacerdotes que dirigem os cultos. Ao se constituir como uma igreja de salvação o taoísmo se afasta do taoísmo original.
A base do pensamento Taoísta se encontra no livro Tao-te Ching. Nesse livro consta que o universo inteiro é feito por dois princípios fundamentais:
Yin e Yang. Yin e Yang são princípios opostos. O yin é o principio feminino da realidade. Dessa forma, são: Yin o frio, o molhado, o escuro, o ódio, o estático etc. O Yang é o oposto de Yin. Ele o princípio masculino: o quente, o seco, o claro, o amor, o dinâmico etc. (SCHIMIDT,1999:125)
Para Lao-tsé o princípio da harmonia estava em equilibrar o Yin e o Yang e estes estão em todas as coisas. Esse princípio para Lao-Tse é o Tao. É através do Tao que se consegue vencer uma batalha, ter uma boa comida, ter boas relações, evitar doenças, trabalhar com alegria e disposição etc. (SCHIMIDT, 1999:125)
Um das formas de se atingir o Tao e pelo caminho da meditação. A meditação profunda leva a compreensão das duas forças opostas que estão em todas as coisas e seres do mundo.
Para o Taoísmo a desordem, a confusão, a destruição e a doença se da quando não se consegue equilibrar as duas forças opostas. Quando isso ocorre deve se buscar recuperar o equilíbrio, o Tao para que tudo volte ao estado de verdadeiro equilíbrio.
Neste aspecto o taoísmo é uma doutrina a respeito da felicidade. A pessoa perde a felicidade quando rompe sua ligação harmônica com a unidade, ou seja, com o Tao.
 
CONFUCIONISMO
 
O fundador do confucionismo foi Kung-fu-tzu (conhecido como Confúcio no Ocidente) não era propriamente um líder religioso, mas suas idéias exerceram profundas influencia na religião chinesa a partir do século V a.C. O Confucionismo está mais voltado para uma filosofia que atua sobre a ordem social, moral e governamental, do que propriamente para uma religião.
O confucionismo tornou-se religião oficial da China entre 1644 e 1912 e exerceu uma forte influencia na sociedade chinesa, principalmente porque objetivava reformar os costumes da época e libertar a sociedade da degradação moral, que segundo Confúcio era o motivo que levava as guerras e a destruição.
O fundador do Confucionismo defendia que a harmonia na sociedade chinesa seria alcançada quando toda a população fosse educada para obedecer às tradições.  O processo de obediência pressupõe o respeito a hierarquia, ou seja, filho deve obedecer o pai em silencio, o aluno deve obedecer o mestre sem questionar, o homem comum deve obedecer o imperador sem contestar e o camponês deve obedecer o nobre sem resistência. (SCHIMIDT,1999:127)
         Tradição e obediência se tornaram um imperativo na China. Estas deveriam estar aliadas a um programa educacional intenso, pois para Confúcio, a ignorância era o pior obstáculo para melhorar o caráter.
De acordo com a doutrina de Confúcio
a ordem social e manutenção do Estado são adquiridas quando o principio de lealdade é praticado na sociedade. O filho deve ser leal ao pai, assim como o súdito deve ser leal ao soberano. Por outro lado tanto o pai como rei devem ter como principio a justiça. Agindo assim tanto o filho como súdito serão leais. (CISALPINO, 1994:39)
         Se todos agirem desta forma a sociedade não entra em desequilíbrio.
Confúcio defendia a justiça para todos como o fundamento da vida em um mundo ideal devendo prevalecer os princípios de humanismo, cortesia, piedade filial, virtudes da benevolência, retidão, lealdade, integridade do caráter e a condenação da vaidade. (SOUZA, 2001:34)
Segundo a doutrina de Confúcio, o ser humano é composto por quatro dimensões: o eu; a comunidade; a natureza; o céu (fonte da auto-realização definitiva).
O eixo central da doutrina Confúcio é o “caminho do céu” (Tao) o qual todas as pessoas deveriam procurar seguir. Para alcançar tal objetivo a sua vida diária deveria ser pautada nas cinco virtudes morais. Essas virtudes essenciais para homem são: benevolência, retidão, decência, sabedoria e sinceridade. (WILGES, 1982:33)
Na China desde os tempos mais remotos sempre teve uma preocupação com os antepassados. A veneração aos antepassados era uma forma de demonstrar a sua gratidão e respeito, pois se acredita que eles sendo respeitados poderiam demonstrar a sua gratidão ajudando, influenciando e iluminando os imperadores, governantes e o povo.
A doutrina de Confúcio encontra-se nas compilações chamadas Cinco Clássicos (Wu Ching) e nos Quatro Livros (Shih Shu) os quais são:
Os Cinco Clássicos
Shu Ching (Livro dos Documentos), sobre a organização política de cinco dinastias da China; I Ching (Livro das Mutações), sobre a metafísica; Li Ching (Livro das Cerimônias), sobre a visão social; Shi Ching (Livro das Poesias), sobre a antologia secular e religiosa; Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos), sobre a história da China. (SOUZA, 2001:36-37)
Os Quatro Livros
Ta Hsio (Grande Aprendizado), ensinamentos sobre a virtude; Chung Yung (Doutrina do Meio), ensinamentos sobre a moderação perfeita; Lun Yu (Anacletos), coleção das máximas de Confúcio, seus princípios éticos; Meng-Tze (Mêncio), obra do grande expositor de Confúcio.
RELIGIÕES E RELIGIOSIDADES AFRICANAS
 
No continente Africano havia e ainda há várias religiosidades e religiões, fruto da existência de centenas de etnias, da influência de povos de outros lugares, a exemplo dos árabes, europeus, e de outros fatores.
Diversos pesquisadores europeus[i], considerados clássicos, e resgatados pela pesquisa de BASTIDE (1971), apontam aspectos gerais das religiões africanas até o séc. XVI, e que consistem em:
o   As religiões eram ligadas à família, envolvendo ancestralidade e relações de parentesco; havendo o culto aos antepassados; em algumas regiões, como no antigo reino do Congo, ficava evidente a ancestralidade dos deuses sobre os homens e sobre seus familiares. Os deuses foram os fundadores das dinastias, justificando o surgimento dos reinos. A transmissão era hereditária pela linha de descendência masculina;
o   Há muitas referências ao animismo, à vinculação do sagrado às forças da natureza, compondo uma mitologia que explica o surgimento do mundo, e dos deuses e divindades;
o   Em algumas regiões (Moçambique, por exemplo), o deus ancestral do rei ou do chefe da tribo era o principalmente cultuado e servia como intermediário para com os outros deuses;
o   Os deuses tinham atributos e funções específicas, para os quais eram chamados, independente de serem o ancestral do grupo (Deus da chuva, protetor da agricultura, da cura pelas ervas...);
o   Entre os iorubás e os daomeanos, todo homem descendia de uma divindade e ao ancestral do grupo eram prestados serviços. Havia um altar familiar, um sacerdote ou um preposto e, nos meios mais urbanos, um templo ou santuários para a realização das festas e serviços;
         Pesquisas mais recentes de PARÉS (2006), remontam a origem das diferentes designações para os deuses africanos dentre as etnias que vieram para o Brasil. Entre os Iorubas, as divindades são denominadas orixás e entre demais grupos gbé-falantes (área do Golfo do Benin, do rio Volta ao rio Níger), o termo vodum é mais freqüente para referir-se às divindades.
 
O ENCONTRO DE RELIGIÕES NO BRASIL E AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS
 
O Encontro dos Africanos com o Catolicismo no Brasil
 
No século XVI inicia-se o tráfico negreiro para o Brasil, e nos porões dos navios escravistas as várias religiões e religiosidades africanas se encontraram. Entretanto sabe-se que muitas delas já estavam em contato devido às conquistas e à submissão entre os povos africanos. Essa amarga viagem promoveu a separação entre grupos de religiões comuns, entre, etnias, grupos, familiares, clãs. Aqui teria havido uma mistura entre idiomas africanos, com a prevalescência de troncos lingüísticos e surgimento de uma língua em comum com relativo entendimento por várias etnias. Após a chegada ao Brasil, os africanos foram convertidos ao catolicismo, que era a religião oficial e obrigatória. O senhor tinha que batizar o escravo em, no máximo 5 anos após a chegada, impondo-lhe um nome cristão.
A Igreja tinha várias formas de controle e repressão. Uma delas e a mais violenta era o Tribunal do Santo ofício da Inquisição, que visava punir praticantes de atos mágicos (bruxaria, feitiçaria ou curandeirismo), de aberrações sexuais ou outras atividades pagãs, atribuídas à influência do demônio. No Brasil, a Inquisição fez visitas (entre 1591 e 1768, na Bahia, Pernambuco, Pará e Maranhão), nas quais processou muitos brancos, índios e negros, promovendo deportações para julgamento pelos tribunais em Portugal.
Apesar da conversão, a religiosidade africana mantinha-se com os batuques nos canaviais e uma aparente assimilação dos santos brancos católicos, ao lado da exaltação dos santos negros (São Benedito, Senhora do Rosário), por vezes tidos como intermediários com os ancestrais e/ou orixás.
O Catolicismo neste período era místico e mágico, com forte devoção aos santos, em especial aos santos guerreiros que aludiam a saga dos conquistadores no Novo Mundo: São Jorge, Santo Antonio, São Sebastião, São Miguel. Outros santos eram invocados para livrar das pestes e doenças tropicais: São Roque, São Lázaro, São Braz, N. Sra. das Cabeças (hidrocefalia). As Nossas Senhoras ajudavam nos momentos difíceis: N. Sra. Das Dores, do Parto, da Conceição. A missa e sacramentos apresentavam a força dos atos mágicos, com pão e vinho bentos, rezas em latim, sinos e campânulas, trajes sacerdotais com cores fortes e imponentes, altar com relíquias e uso de incensos. As capelas eram bem ornadas com anjos de expressões impressionantes e vivas e os rituais para os mortos eram muitos. Os católicos usavam vários elementos com fins religiosos: fitas na cintura, medalhas, santinhos, orações escritas debaixo do travesseiro ou junto ao corpo, água benta, preces para afastar maus espíritos. Todos estes fatores favoreceram o sincretismo com as religiões indígenas e africanas. (BASTIDE, 1971).
A partir do séc. XVII, o catolicismo brasileiro, até então uma religião doméstica e rural, passou a ser uma religião das cidades que se formavam ao redor dos engenhos de açúcar do litoral ou das minas de ouro do interior. As igrejas passaram a ser os centros aglutinadores das atividades religiosas e da comunidade. Posteriormente, com o crescimento das cidades decorrente da multiplicação das atividades econômicas (a partir do séc. XVIII), houve uma proximidade entre as classes intermediárias – mestiços, negros alforriados e “escravos de ganho” (que trabalhavam como vendedores, barbeiros e carreadores) e que se reuniam em associações de ofício e de lazer (danças, rodas de capoeira e de batuque). (idem,idem).
Neste contexto a missa, e as festas religiosas ou cívicas que envolviam procissões, autos e folguedos quebravam a rotina de trabalho e eram momentos de reunião de toda a sociedade. Nelas os negros participavam, mas em espaços reservados a eles, como nos pórticos, onde assistiam à missa em pé. Na nave principal as famílias senhoriais ocupavam os bancos de acordo com sua riqueza e prestígio. A participação do negro era marcada pela alegria, musica, dança e utilização de instrumentos de percussão, fato que desagradava e chocava a sociedade conservadora colonial. Por isso, sob pressão da aristocracia, a Igreja proibiu, em muitos casos, a realização das cerimônias dos negros junto com as festas católicas. Tal proibição deu origem a celebrações populares como as congadas, moçambiques, folias de reis e o próprio carnaval. Outra forma de separação foram as irmandades dos “homens de cor” (associações como as Confrarias, Ordem terceira, Santa Casa de Misericórdia), separadas segundo a cor da pele e a condição de escravo (reunidos por nações) ou liberto. Essas irmandades, criadas pelos jesuítas em 1586, reuniam às vezes só homens ou só mulheres, organizando suas próprias cerimônias e festas e funcionavam também como associação de auxílio mútuo para comprar alforrias e assegurar um enterro cristão e digno aos seus filiados. Muitas irmandades construíram suas próprias igrejas em várias cidades do país.
    
CALUNDUS E BATUQUES
 
Segundo os levantamentos de BASTIDE (idem), até o séc. XVIII o nome mais comum das manifestações religiosas afro-brasileiras parece ter sido o Calundu, termo de origem banto, ao lado de Batuque abrangia danças, cantos, tambores e rituais. Os Calundus precederam os terreiros de candomblé que existem hoje e também outras religiões afro-brasileiras.
Eram cultos que apresentavam uma organização envolvendo a presença de um sacerdote e uma diversidade de cerimônias que continham: os elementos africanos (atabaques, transe por possessão, advinhação por búzio, trajes rituais, sacrifício de animais, banhos de ervas, ídolos de pedra, etc.), os elementos católicos (crucifixos, anjos católicos, sacramentos como o casamento) e o espiritismo e crenças populares de origem européia (advinhação por meio de espelhos, almas que falam através dos objetos ou incorporadas nos vivos, etc.). O sincretismo não modificava apenas o catolicismo, introduzindo ritos nas festas e procissões nos pátios de igrejas e reuniões das irmandades, mas também foi elaborado dentro dos cultos africanos (SILVA, 2005).
Os primeiros calundus foram descritos em fazendas, nas matas e roças ou nos espaços contíguos à senzala – o terreiro.  Tais condições imprimiam muitas dificuldades aos cultos aos deuses africanos, que requerem uma série de interdições, recipientes especiais e elementos naturais que os representam como água, pedra, peças de ferro, etc.. tais elementos são tratados como coisas vivas (porque os deuses habitam neles), e devem ficar em local consagrado e de acesso reservado, onde são feitas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais que renovam sua força mágica e a de seus cultuadores.
O crescimento das cidades e do número de libertos propiciou condições para as manifestações religiosas se desenvolverem: os cultos passaram a ser feitos em moradias (muitas das quais eram coletivas, em casarões abandonados), mais resguardados da repressão policial. A vigilância policial justificava-se pelo temor de que a reunião de negros corroborasse com a formação de quilombos e de insurreições, como a dos malês (feita por africanos islamizados).
 
O Encontro de Religiosidades Africanas, Católica e Indígenas
 
Se a história do Brasil é marcada pelo encontro de diferentes povos e culturas, a história das religiões no Brasil não poderia ser diferente. Como vimos anteriormente, os índios, mesmo submetidos à conversão religiosa, não abandonaram suas crenças e o encontro entre populações indígenas, européias e africanas fez surgir religiões e religiosidades bem peculiares.
 A primeira destas junções de crenças entre elementos da pajelança indígena com o catolicismo colonial parece ser a Santidade (reprimida pela Inquisição em 1591/2), que partia de um culto a um ídolo de pedra chamado Maria, e contava com elementos que permaneceram no Catimbó, religião iniciada no período de transição do campo para a cidade.
 
CATIMBÓ, CABULA E MACUMBA
 
No Catimbó (região norte e nordeste) o culto indígena dos caboclos se une à devoções católicas e africanas. No altar com santos católicos e crucifixo juntam-se elementos da magia indígena e africana. Há o uso do fumo, e da jurema ou ajuá, como substâncias que permitem o contato com o espírito dos mortos. Assim, as antigas divindades indígenas vão reunir-se aos espíritos dos catimbozeiros célebres, dos quais alguns eram negros, e dos mestres africanos, para participar do reino dos encantados (divindades).
A Cabula era praticada no Espírito Santo, em fins do século XIX, por negros, mas com a presença de alguns brancos. As cerimônias (engiras) secretas e à noite eram realizadas em casas e mais frequentemente nas florestas, e conduzida pelo sacerdote chamado de embanda. Os fiéis vestiam branco e preparavam a mesa (com toalha, velas e pequenas imagens), iluminada por uma fogueira. Entoavam cantos aos espíritos e divindades, acompanhados por palmas. Nos rituais havia ainda o vinho, o incenso e o uso de plantas e de um pó sagrado para afastar espíritos inferiores e preparar o ambiente para a tomada do Santé – incorporação do espírito protetor.
A Macumba foi escrita por pesquisadores já no século XX, no Rio de Janeiro (especialmente A. Ramos em 1940) e se aproximavam muito das práticas da Cabula. O chefe também se chamava embanda, umbanda ou quimbanda e seus ajudantes cambono ou cambone. As iniciadas eram filhas de santo (influência jeje-nagô) ou médiuns (influência do espiritismo). As divindades como os orixás, inquices, caboclos e os santos católicos eram agrupadas por falanges ou linhas (da Costa de Quimbanda, Umbanda, do Mar, de Cabinda, de Caboclo, Cruzada, etc). Nas cerimônias cultuavam-se diversas linhas. A abrangência dos cultos sob o termo macumba parece ter sido um dos motivos de sua popularidade e de seu uso indiscriminado para se designar as religiões afro-brasileiras em geral, junto ao fato do Rio de Janeiro, como capital da República, ser grande difusor da cultura nacional.
 
RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS MAIS CONHECIDAS HOJE: CANDOMBLÉ, UMBANDA, BATUQUE E TAMBOR DE MINA.
 
Da junção de religiões africanas se compõe no Brasil o Candomblé, cujos rituais prestam cultos a diferentes divindades: orixás, voduns ou inkices (pouco mais de uma dúzia, dentre as centenas que existiam na África) e também, em muitos casos, a divindades relacionadas ao Brasil, como Caboclos e Pretos-Velhos. Esta religião sofre variações regionais e, dentro de uma mesma região também se diversifica pelas influências predominantes de origens ou de “nações”[ii], que definem diferenças no ritual (instrumentos, ritmos dos atabaques, língua usada nos cantos, nome das divindades, ritual e concepções). Assim temos em parte do nordeste o Xangô, e em outras regiões o Candomblé Jeje/nagô (Keto), o Candomblé Angola (banto, que teria sido o herdeiro da cabula, macumba e candomblé de caboclo/BA). Os templos de candomblé são conhecidos como terreiros ou roças e são conduzidos por um sacerdote (pai-de-santo ou mãe-de-santo). Diferente do que acontecia na África, aqui o sacerdote une diferentes funções: as litúrgicas, de advinho, de cura, aconselhamento, etc. Os fiéis são chamados de filhos-de-santo e devem cumprir uma série de preceitos e condutas transmitidas oralmente e ao longo do tempo em que realiza a sua formação religiosa. Nesse período passa por uma série de rituais (iniciação, e outros). Nesse processo o fiel conhece sobre sua ancestralidade religiosa, sobre a religião e se prepara para prestar devoção às divindades, dentro dos cânones da religião. As atividades rituais compõem-se de culto às divindades (principalmente os Orixás), que se incorporam pelo transe nos fiéis iniciados, os quais são preparados para recebê-los com a indumentária (roupas, colares de contas, chapéus, coroas, e outros adereços) nas cores correspondentes à divindade. Não há exclusividade no transe, e o fiel pode receber mais de uma divindade em uma performance seriada. Os orixás têm uma mitologia relacionada à África, na qual apresentam seu arquétipo, sua natureza e estas características se apresentam nos fiéis iniciados, em seu comportamento e sua trajetória dentro e fora da religião.
A Umbanda é uma religião presente em diversas regiões do país, e que tem origem no início do século XX (BA, RJ e SP). Muitos autores remontam aos anos 1920, a partir da cisão de descontentes na macumba carioca e do espiritismo kardecista. Sua formação teria unido descontentes das duas religiões, buscando uma saída para o estigma vinculado à religiosidade negra e africana. Há também informações sobre o surgimento da religião em 1904 e 1908, datas que foram adotadas como marco histórico por adeptos e associações. Para a Federação Internacional Afro-brasileira – FIETRECA, “a partir de 1904, começaram a surgir no Rio de Janeiro várias casas de Umbanda denominadas de ‘tendas’. O termo tenda era utilizado para designar e distinguir a forma de culto adotado”. Já a Federação Brasileira de Umbanda, tem como referência a data de 1908[iii].  
Na antiga capital da república, a umbanda sofreu com o impacto da perseguição policial e das influências de outras religiões. Assim, associa elementos de religiosidades africanas, indígenas, européias (catolicismo, Kardecismo) e também orientais. Entretanto, a umbanda retém os elementos essenciais da macumba ou do candomblé, dos quais conserva o sistema de correspondências místicas entre as cores, os dias, as forças da natureza, as plantas e os animais e manifesta grande influência do espiritismo kardecista em seus aspectos doutrinários. As divindades – Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Baianos, Exus e Pomba-giras, são  agrupadas por linhas e falanges, relacionadas aos orixás. Há o culto aos santos católicos. Entretanto as divindades estão mais presentes nos rituais, por meio da incorporação nos fiéis e apresentam a função de fazer a caridade, auxiliando aos que as procuram. Os templos religiosos são conhecidos como terreiros, tendas ou centros espíritas, nos quais as cerimônias são conduzidas por um ou mais sacerdotes (pais ou mães-de-santo ou médiuns). Os fiéis são chamados de filhos-de-santo ou de médiuns e incorporam, através do transe, as divindades às quais se relaciona pela ancestralidade mítica, revelada durante sua formação religiosa. Em geral os fiéis vestem-se de branco para os rituais e usam poucos adereços (colares de contas, terços). As divindades, prestam consultas a quaisquer pessoas que compareçam ao templo, independente de suas convicções religiosas, em geral de forma gratuita. Nestas consultas realizam benzimentos ou passes, aconselhamentos e curas de doenças usando ervas, bebidas (inclusive água), orações (inclusive católicas) e também a magia religiosa para afastamento de maus espíritos. Há uma grande diversidade de ritos na Umbanda, a depender da maior ou menor influência de outras religiões como o candomblé, a macumba, a cabula (das quais apresenta elementos), além do kardecismo, catolicismo, das religiões indígenas outras.
O Batuque foi pesquisado a partir dos anos 1940, e é uma religião bem conhecida e popular no Rio Grande do Sul, onde estima-se a existência de 80 mil templos de religiões afro-brasileiras, dentre estes o que se conhece hoje como Batuque “puro”, representa 15%, a linha cruzada (com elementos da umbanda),  80% e a umbanda “pura”, também conhecida como linha branca 5%. A maioria dos templos são pequenos e nem sempre muito visíveis pela rua.
O Batuque gaúcho apresenta a diversificação em torno das “nações”: Cabinda (bantos), Oio (povos Iorubas) e Jêje(do atual Benin), demonstrando especificidades nos rituais e concepções. Como no Candomblé, há uma correspondência entre orixá e dia da semana, e também com as cores; As atividades rituais são compostas de cerimônias de culto aos orixás e divindades e, como no candomblé, há o sacrifício de animais como oferendas aos orixás em rituais específicos (aniversário do orixá, rituais de iniciação ou de promoção do fiel, e outros).  A iniciação do fiel inclui, além dos rituais no terreiro, a participação em missa católica. Nesta religião a hierarquia é menos extensa que no candomblé e também há um acúmulo de funções ao pai-de-santo. O panteão acompanha o do candomblé e, na linha cruzada, também o da umbanda.
O Batuque expandiu-se para outros países do cone sul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, onde em geral, são denominados por Umbanda. 
O Tambor de Mina é uma religião muito popular na região Amazônica, especialmente no Pará e Maranhão. Só no Pará conta com cerca de 2.500 terreiros. Sua formação é marcada por uma junção entre o as religiões de origem indígena (especialmente o Catimbó), de origem africana, de origem européia (catolicismo, espiritismo) e os afro-brasileiros. Assim, seu panteão se compõe de orixás ou voduns, divindades brasileiras como os Caboclos, Pretos-Velhos, de santos católicos e também com divindades (encantados) provenientes de outras origens, como é o caso dos Turcos (rei e princesas turcas). As divindades formam uma série de linhas ou famílias, segundo sua origem étnica ou sua posição geográfica na natureza. Nos templos as cerimônias são conduzidas pelo sacerdote (pai ou mãe-de-santo) e prestam culto às divindades. As divindades se manifestam por meio do transe, em fiéis preparados (iniciados) para esta função, adequadamente trajados, em especial nos dias de festa. A iniciação é próxima à do candomblé, com o recolhimento do fiel, que sofre interdições alimentares, de ações e palavras e também do contato com a maioria das pessoas durante alguns dias. Nestes dias ele recebe orientação religiosa, alimentação especial, se submete a rituais de purificação e passa por uma espécie de renascimento, a partir do qual sua identidade religiosa será revelada e fortalecida.
Como se pode observar, as religiões afro-brasileiras, bem como muitas religiões orientais, não são exclusivas, ou seja  o fiel, mesmo que iniciado, pode freqüentar templos de outras denominações religiosas. O que conta é sua intenção de aproximar-se do sagrado. Assim, reconhecem a diversidade e a validade das diferentes formas de representação da fé religiosa.
 
O respeito à liberdade religiosa está prescrito em nossa Constituição e os atos movidos pela intolerância constituem-se em condutas ilegais. Mesmo se não fossem ilegais, iriam em desencontro à formação da humanidade, composta por diferentes etnias e culturas, cada uma delas com sua forma de conceber o mundo e relacionar-se com ele, com suas crenças, com seus deuses e suas formas de cultuá-los. Por isso é importante saber um pouco sobre estas diferentes formas de pensamento religioso para combater a intolerância de alguns que se acreditam superiores em sua crença, cor, origem e posição social e que por isso acreditam que devem impor seu modo de conceber o mundo aos demais. 
Tabelas da distribuição das religiões no Brasil

Tabela 1 – As religiões do Brasil em 2000
Religião
Número Absoluto
%
Católicos romanos
124.976.912
73,77
Evangélicos
26.166.930
15,44
Protestantes históricos
7.159.383
4,23
Pentecostais
17.689.862
10,43
Outros evangélicos
1.317.685
0,78
Espíritas
2.337.432
1,38
Espiritualistas
39.840
0,02
Afro-brasileiros
571.329
0,34
Umbanda
432.001
0,26
Candomblé
139.328
0,08
Judeus
101.062
0,06
Budistas
245.870
0,15
Outras Orientais
181.579
0,11
Muçulmanos
18.592
0,01
Hinduístas
2.979
0,00
Esotéricos
67.288
0,04
De tradições indígenas
10.723
0,01
Outras religiosidades
1.978.633
1,17
Sem religião
12.330.101
7.28
Declaração múltipla
382.489
0,23
BRASIL
*169.411.759
100,0%
Fonte: Censo demográfico 2000. IBGE
(*) Não inclui 387.411 casos de religião não declarada, 0,23%  de residentes no país com total em 2000 de 169.799.170.
 
Tabela 2 – Detalhamento das religiões no Brasil em 2000 
 
Total: 125.518.774 - 73,89%
124.980.132
73,57
500.582
0,295
38.060
0,022
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Total: 26.184.941 - 15,41
de missão (total)
6.939.765
4,085
3.162.691
1,862
1.209.842
0,712
1.062.145
0,625
981.064
0,578
340.963
0,201
148.836
0,088
outras
34.224
0,020
17.617.307
10,37
8.418.140
4,956
2.489.113
1,465
2.101.887
1,237
1.318.805
0,776
774.830
0,456
277.342
0,163
175.618
0,103
128.676
0,076
Nova vida
92.315
0,054
outras
1.840.581
1,084
sem vínculo institucional (total)
1.046.487
0,616
de origem pentecostal
336.259
0,198
outros
710.227
0,418
outras religiões evangélicas (total)
581.383
0,342
 
Outras cristãs
Total: 1.540.064 - 0,907
1.104.886
0,650
199.645
0,118
outras
235.533
0,139
Novas religiões orientais
Total: 151.080 - 0,089
109.310
0,064
outras
41.770
0,025
 
Religiões Afro-brasileiras
397.431
0,234
127.582
0,075
2.262.401
1,332
86.825
0,051
58.445
0,034
27.239
0,016
25.889
0,015
Tradições indígenas
17.088
0,010
2.905
0,002
Outras religiosidades
15.484
0,009
Outras religiões orientais
7.832
0,005
12.492.403
7,354
sem declaração
383.953
0,226
não determinadas
357.648
0,211
Fonte: Censo demográfico 2000. IBGE
 
 
GLOSSÁRIO
Alteridade Qualidade ou estado daquilo que é diferente. A alteridade é também uma atitude de reconhecimento do outro, seja ele uma pessoa, um grupo religioso, étnico, cultural, político, ou ainda pertencente a outra espécie.
Doutrina – é um conjunto de princípios, afirmações e preceitos de fé de uma determinada religião.
Espiritualidades – são técnicas e métodos que permitem ao fiel ou adepto de uma determinada religião ou crença estabelecer uma relação imediata com o transcendente.
Hierarquia - é a organização que divide as pessoas em classes, posições e as distribui em diferentes níveis, estabelecendo funções.
Igreja a palavra igreja significa assembléia, congregação ou ajuntamento de pessoas reunidas em torno de uma determinada crença.
Religiosidade é a dimensão do ser humano pela qual ele vive uma experiência no sentido divino, sagrado, espiritual e transcendente da vida.
Religião é palavra de origem latina, derivada do termo religare, e significa ligar de novo, unir, juntar. Religião é a re-ligação do ser humano com o transcendente.
Ritos – são gestos simbólicos repetitivos, isto é, que são realizados da mesma forma. Os ritos são gestos que expressam uma determinada crença, geralmente fazem parte de uma cerimônia ou ritual religioso.
Rituais – conjunto de ritos que acontecem em uma cerimônia religiosa e podem marcar uma transformação ou passagem para um novo estado de ser.
Símbolos religiosos – objetos e elementos que trazem à lembrança algo ou alguém que não está presente. Os símbolos religiosos são linguagens que comunicam idéias sobre o transcendente.
Tradição palavra que significa transmitir ou passar adiante. A tradição se constrói por meio da repetição, por exemplo, determinados acontecimentos importantes para um grupo são celebrados sempre em uma determinada ocasião ou época do ano.
Tradição religiosa termo que designa uma determinada matriz religiosa.
Transcendente é o que está além da materialidade, o que ultrapassa os limites da compreensão humana, o que é inefável, infinito, ser supremo ou “Deus”, como é chamado por algumas tradições religiosas.
Textos sagrados – são textos considerados sagrados pelo seu conteúdo e por serem, segundo diferentes religiões, inspirados pelo transcendente.
 
 
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 
ABDALATI, Hammudah. O Islam em foco. Centro de divulgação do Islam para América Latina. São Bernardo do Campo - SP,1989, p. 93.
BASTIDE, Roger. As Religiões Africanas no Brasil. São Paulo: Pioneira, 1971. (ed. em Francês: 1960) V. 1 e 2.
CISALPINO, Murilo. Religiões. São Paulo: Editora Scipione, 1994.
DURKHEIM, Emile. As Formas Elementares de Vida Religiosa. São Paulo, Ed. Paulinas, 1989 (a primeira edição francesa é de 1912).
JACOB, César Romero et al. Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2003.
MELO, Joaquim Pereira, PIRATELI, Marcos Roberto (org). Ensaios sobre o cristianismo na antiguidade: história, filosofia e educação. Maringá: Eduem, 2006.
NADAI, Elza e NEVES, Joana. História Geral: antiga e medieval. São Paulo: Editora Saraiva, 1987.
PARÉS, Luis Nicolau. A formação do candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia. Campinas, SP: Ed. UNICAMP, 2006.
PASSOS, João Décio. Pentecostais: origens e começo. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 54.
SCHIMIDT, Mario Furley. Nova história crítica. São Paulo: Nova Geração, 1999, p. 125.
SILVA, Vagner G. de, Candomblé e Umbanda: caminhos da devoção brasileira.2ª Ed. São Paulo: Selo Negro, 2005.
SOUZA, Irivaldo Joaquim de. Introdução às Principais Religiões. História, ecumenismo e diálogo inter-religioso. Maringá-PR: Editora Uem, 2001.
TOMITA, Andréa Gomes Santiago. As Novas Religiões Japonesas como instrumento de transmissão de cultura japonesa no Brasil. Revista de Estudos da Religião Nº 3 / 2004 / pp. 88-102.
WILGES, Irineu Sílvio. Cultura religiosa: as religiões no mundo. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 1982


[i] Frobenius, Parrinder, Kosler, Tolenare, Expilly, apud: BASTIDE, R.(1971)
[ii] A “nação”, segundo PARES (2006), é hoje uma modalidade de rito, ela foi formada a partir da identidade de grupo, que era multidimensional e estava articulada em diversos níveis (étnico, religioso, lingüístico, político). Tal identidade decorria dos vínculos de parentesco das corporações familiares que reconheciam uma ancestralidade comum.
[iii] Conforme informações divulgadas nos sites www. fietreca.org.br/umbanda.htm e fbu.com.br/fbu.htm

Texto disponível em: http://www.dcs.uem.br/neiab/paginas/publicacoes/capitulo_do_livro_crencas_e_religioes1.htm