quinta-feira, 20 de março de 2025

Tipos de ritos e rituais

 

Material completo disponível em: https://mid-educacao.curitiba.pr.gov.br/2025/3/pdf/00514358.pdf

Entenda qual é a diferença entre rito e ritual

 De maneira geral, o rito é um conceito mais amplo de algum aspecto de uma religião, por exemplo. Esse aspecto é o conjunto de conteúdos de um mito transmitido com base nas crenças da determinada religião. Para colocar o rito em prática são feitos rituais específicos e estes são compostos por gestos, ações, palavras, entre outros. 

Para compreender melhor o assunto e conhecer os dois termos usuais do misticismo, confira com mais detalhes a diferença entre rito e ritual e como eles são elaborados.

O que é rito?

A palavra "rito" tem origem no latim e é um termo que se refere aos costumes invariáveis, já estabelecidos por meio de regras ou normas de uma cerimônia de determinada cultura ou religião. 

Um rito é baseado nas crenças das pessoas que o realizam e é uma forma de simbolizar e transmitir as ideias e os conceitos de algum tipo de mito.

Dentro de uma religião, por exemplo, a existência e a narração dos ritos é uma tradição muito importante para os praticantes, de maneira que podem ser aplicados com um objetivo individual ou social.

O rito individual é realizado por uma única pessoa, de forma que o local e o tempo utilizado para a repetição do rito tornam-se elementos sagrados. Pessoas que têm o costume de orar todos os dias sem falta, no mesmo horário, em um lugar específico e recitando a mesma oração, por exemplo, têm um rito individual. 

Já o rito social, ainda com o exemplo de caráter religioso, é elaborado por todo o grupo de pessoas que formam a religião. Nessa questão, é possível diferenciar as crenças e mitos que dão origem às religiões, uma vez que o rito social pode ser diferente em cada culto por causa da cultura da sociedade em que está inserido.

Contudo, a base primária dos ritos não muda muito nas tradições da humanidade. Por exemplo: existe uma crença muito difundida no mundo de preparar uma cerimônia para os vivos se despedirem dos mortos, conhecida como rito funerário.

Porém, enquanto em algumas culturas são feitos velórios, em outras são elaboradas grandes festas. Portanto, o jeito de aplicar o rito - ou seja, o ritual - é diferente, mas o conceito que dá base a ele é o mesmo. 

Existem ritos mais populares que outros, como é o caso do rito de purificação que é o bastimo; os sacrifícios; a consagração de reis, sacerdotes e outros líderes de uma cultura e, por fim, os ritos de passagem e de iniciação, conhecidos por serem, respectivamente, o acesso de uma etapa para outra e a introdução de ensinamentos básicos para as pessoas que estão iniciando uma determinada prática.

No cotidiano, o termo rito também pode ser utilizado em situações rotineiras, sem qualquer vínculo com o misticismo. Por exemplo, alguém que diz "vou te apresentar meus ritos de lazer", significa que ela faz determinadas atividades de maneira costumeira para se entreter.


O que é ritual

Enquanto o rito é o conceito por trás de tudo, o ritual é a prática. Dessa forma, a celebração do rito, isto é, a concretização dos costumes, das regras estabelecidas e dos ensinamentos tradicionais é chamada de ritual.

Formado por um conjunto de ações, símbolos, palavras e/ou gestos, o ritual - palavra que também tem origem no latim - é feito com o objetivo de celebrar uma tradição e alcançar um determinado resultado.

Por exemplo, a cerimônia do casamento é um ritual elaborado para aplicar o rito de união entre duas pessoas e, assim, passar de uma pessoa solteira para casada. 

Assim como o rito, o ritual pode ser realizado de maneira individual ou social, além de utilizar ferramentas específicas para a sua efetivação. Estas podem ser roupas, objetos mágicos e/ou com grande valor simbólico - como, no caso do casamento, as alianças - e ser feito em lugares considerados sagrados, seja para você, como um altar em casa, ou para o coletivo, como um templo.

Também existem os rituais psíquicos que são praticados para chamar ou afastar vibrações, energias ou forças sobrenaturais de algo ou de alguém. Esse tipo de ritual deve ser sempre acompanhado de alguém especializado na área.

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/horoscopo/entenda-qual-e-a-diferenca-entre-rito-e-ritual,4cc65d87cf1dc9a2299842dee86d1692qpjcvxlb.html?utm_source=clipboard

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Contrato de combinados da turma

 Nesse tipo de dinâmica, o foco está no engajamento dos estudantes às regras de boa convivência em sala de aula.

Os alunos devem pensar em regras essenciais para o convívio e o bom desenvolvimento da turma. A partir daí, elabora-se um contrato que deve ser assinado por todos e guardado pelo professor.

Ao longo do ano, quando forem surgindo algumas questões ou conflitos, o contrato pode servir de referência para as tomadas de decisão coletivas.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Dinâmica para o primeiro dia de aula - Unindo o coração

 Objetivo: levar os alunos a se conhecerem melhor. Desenvolver o relacionamento interpessoal e a comunicação.

Material Necessário:

Corações de cartolina cortados em duas partes de forma que uma delas se encaixe na outra. Cada coração só poderá encaixar em uma única metade (não pode ter partes iguais).

Procedimento:

Distribuir os corações já divididos de forma aleatória.

Informar que ao ouvirem uma música (pode substituir por estipular o tempo) caminharão pela sala em busca de seu par.

Quando todos encontrarem seus pares, o educador irá parar a música e orientar para que os participantes conversem (caso não se conheçam perguntar o nome, idade, etc.), caso não se conheçam deverão apresentar o seu par para turma.

Reflexão:

Perguntar aos alunos:

Como se sentiram durante a atividade?

Foi possível conhecer um pouco mais os colegas?

Tiveram dificuldades de encontrar o seu par?

Explicar aos alunos que sozinhos somos incompletos, precisamos ter colegas, amigos, pessoas ao nosso lado. Para isso é importante respeitarmos os colegas, sermos companheiros e colaborarmos uns com os outros.

Tempo de duração: 15 a 20 minutos

Faixa etária: a partir de 6 anos

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Passo a passo do planejamwento

 


Como organizar o tempo, no Ensino Religioso?

 O primeiro passo é observar, atentamente, os objetivos propostos pelo Currículo ou pela BNCC (no caso das instituições que não possuem um currículo próprio), verificando quantos objetivos de aprendizagem devem ser atingidos a cada ano. Bem como a complexidade de cada um. Este planejamento é necessário pois, este

é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. A escola, os professores e os alunos são integrantes da dinâmica das relações sociais; tudo o que acontece no meio escolar está atravessado por influências econômicas, políticas e culturais. (LIBÂNEO, 1994, p. 222).

A seguir, observamos um exemplo desta organização, lembrando que, a cada ano, o calendário pode sofrer alterações de acordo com os feriados e datas de férias e recessos:

5.º ano - 2023

1.º trimestre

2.º trimestre

3.º trimestre

10 aulas

8 aulas

8 aulas

4 objetivos

4 objetivos

2 objetivos


Sugestões de leitura para organizar o tempo e o planejamento:







terça-feira, 26 de novembro de 2024

Religiões presentes no Japão

 

Raízes Nativas e Influência Estrangeira

Santuário Ise
Santuário Aramatsuri no Miya, ou Santuário Ise
O mais importante de todos os santuários, o Ise foi dedicado a deusa sol Amaterasu, que alguns acreditam ser a ancestral da família imperial

A história da religião no Japão é marcada por um longo processo de influências e de tradições religiosas. Em contraste com a Europa, onde o Cristianismo suplantou as tradições pagãs locais, a religião local Xintoísmo continuou como parte da vida das pessoas desde os tempos mais antigos até a organização do Estado nos tempos modernos.

Quando o Budismo foi introduzido no Japão no século VI, as crenças Xintoístas e Budistas começaram a interagir. E essa é a característica definidora da religião japonesa. O maior exemplo dessa interação é a teoria de honji suijaku, na qual o kami Xintoísta foi visto como a encarnação de divindades Budistas.

O Confucionismo e o Taoísmo são duas outras religiões “importadas” que desempenharam um importante papel na sociedade japonesa por um período de mais de mil anos. Os preceitos confucionistas tiveram uma influência maior sobre a ética e a filosofia japonesa, no período da formação do Estado (nos séculos VI e IX), e novamente no período Edo (1600 – 1868). Com uma influência não tanto marcante como a do Confucionismo, o Taoísmo no Japão pode ser percebido no uso do horóscopo chinês e em crenças populares como nas adivinhações ou nas ‘direções auspiciosas’.

Xintoísmo

Casamento Xintoísta
Casamento Xintoísta
A celebração do casamento no estilo Xintoísta ainda é comum


A palavra ‘Xintoísmo’, a qual é geralmente traduzida com “o caminho dos deuses”, é escrita com dois caracteres chineses. O primeiro caractere, que é pronunciado como kami isoladamente, significa ‘deus’, ‘divindade’, ou ‘poder divino’, e o segundo caractere significa ‘caminho’ ou ‘trilha’. Com a introdução do sistema de arrozais durante o período Yayoi (300 a.C a 300 d.C.), os rituais agrícolas e festivais que posteriormente se tornaram parte do Xintoísmo começaram a se desenvolver.

Embora a palavra kami possa ser usada para se referir a um único ‘deus’, ela também pode ser usada no coletivo para designar uma miríade de ‘deuses’ os quais têm sido o objeto central do culto no Japão desde o período Yayoi. Os kami são parte de todas as formas de vida e se manifesta em diversas formas. Existem kami na natureza que residem em rochas sagradas, árvores, montanhas, e em outros fenômenos naturais. Existe um clã de kami chamado ujigami, que foi originalmente formado por deidades tutoras de clãs específicos, que geralmente é um ancestral do clã que foi deificado. Existe o ta no kami, ou deus dos arrozais, o qual é adorado durante o tempo das plantações e nos festivais das colheitas. E existe o ikigami, que são deidades humanas. Os kami que mais se assemelha com os deuses segundo o padrão ocidental são as divindades celestiais que residem no Takamagahara (Alto Plano Celestial). Eles são dirigidos por Amaterasu Omikami, a divindade que é venerada no Santuário Ise, o principal santuário Xintoísta.

Em parte como uma resposta a chegada das doutrinas bem estruturadas do Budismo no Japão no século VI, a atuante, porém desorganizada crença nativa, foi gradativamente sistematizada no Xintoísmo. O desejo de impor uma linhagem imperial legítima sob o fundamento religioso e mitológico levou à compilação do Kojiki (Compilação dos Assuntos Antigos) e do Nihon shoki (crônicas do Japão), em 712 e 720, respectivamente. Ao traçar a linhagem imperial até a era dos deuses, esses livros ensinam como os kami Izanagi e Izanami formaram as ilhas japonesas e os deuses principais Amaterasu Omikami (deusa do sol), Tsukuyomi no Mikoto (deus da lua), e Susano no Mikoto (deus das tempestades). Acredita-se que o tataraneto de Amaterasu Omikami foi o imperador Jimmu, o lendário primeiro soberano do Japão.

A ausência de escritos sagrados no Xintoísmo reflete na falta de mandamentos morais religiosos. Em contrapartida, o Xintoísmo enfatiza a pureza no ritual e a purificação daqueles que lidam com os kami.

Budismo

Originário na Índia por volta do século V a.C., o Budismo se espalhou pela China nos séculos II e III d.C., e finalmente chegou ao Japão via Coréia no século VI, quando o rei de Paekche enviou uma estátua do Buda e cópias das suras ao imperador japonês. O Budismo se espalhou rapidamente entre as classes altas por causa da influência da família pró-budista Soga em sua luta contra as facções anti-budistas. O príncipe Shotoku (574-622), que deu apoio imperial à construção de templos como o Horyuji (atualmente na província de Nara), é considerado o fundador do Budismo no Japão.

O imperador Shomu (701-756) adotou o Budismo como religião oficial do Estado e construiu o templo Todaiji em Nara e sua grande estátua do Buda. Entretanto, a coexistência do Budismo com o Xintoísmo continuou. Responsável por promover rituais que promoviam o bem-estar nacional, as seis seitas Nara, que dominavam o Budismo naquele tempo, eram primeiramente acadêmicas e tinham pouca influência sobre a população em geral. No início do período Heian (774-1185), a seita Tendai foi introduzida no Japão pelo sacerdote Saicho (767-822) e a seita Shingon foi introduzida por Kukai (774-835), o qual é também conhecido como Kobo Daishi. Essas duas seitas esotéricas vieram a ser as mais importantes seitas na corte imperial.

No período Kamakura (1185-1333), dois grandes acontecimentos ocorreram no Budismo no Japão. O primeiro foi o estabelecimento da escola Zen por Eisai (1141-1215), fundador da seita Rinzai, e posteriormente modificada por Dogen (1200-1253), fundador da seita Soto. O Zen encontrou um público receptivo na elite guerreira de seu tempo devido à sua praticidade e ênfase na autodisciplina e meditação. A prática Zen utiliza a meditação sentada, conhecida como zazen, enigmas conhecidos como koan, como meios para se alcançar a iluminação (satori). A principal diferença entre as duas seitas é que os locais Rinzai Zen são muito mais importantes para a prática koan que no Soto Zen.

O segundo acontecimento importante foi o rápido crescimento das seitas do Budismo popular entre as pessoas comuns. Isso inclui as seitas da Terra Pura, que ensinam que o canto do nome do Buda Amida é o melhor caminho para receber um renascimento no Paraíso de Amida, e também a seita Nichiren, que enfatiza o canto da Sura de Lotus.

No período Edo (1600-1868), o xogunato Tokugawa solicitou que todas as pessoas fossem filiadas a um templo Budista como parte do seu esforço de manter a população longe do Cristianismo. Essa medida assegurou uma grande base de membros nos templos, porém não contribuiu para a vitalidade do Budismo como uma religião viva. No princípio do período Meiji (1868-1912), esse sistema entrou em colapso por meio de ondas de sentimento anti-budismo estimuladas pelo desejo do governo de eliminar a influência do Budismo dos santuários Xintoístas e fazer do Xintoísmo a religião oficial do Estado. Como resposta a isso e à mudança do ambiente social da era moderna, o Budismo passou a se esforçar para redefinir o seu papel no Japão.

Culto Memorial BudistaCulto memorial Budista
A cerimônia Budista contempla a oração pelo repouso das almas

Cristianismo

O Cristianismo no Japão pode ser claramente dividido em três períodos: o encontro inicial com o Cristianismo, que começou no século XVI; a reintrodução do Cristianismo, depois de mais de 200 anos de isolamento nacional finalizado no século XIX; e o período logo após a II Guerra Mundial.

Introdução e Perseguição

O missionário jesuíta Francis Xavier desembarcou em Kagoshima em agosto de 1549. As atividades do missionário jesuíta estavam centradas no Kyushu, a parte mais ao sul das quatro ilhas principais japonesas e, por volta do ano 1579, seis daimyo (senhores militares regionais) tinham sido convertidos e havia aproximadamente 100 mil cristãos. Os esforços dos jesuítas foram tratados em princípio com benevolência pelo líder militar Oda Nobunaga e inicialmente pelo comandante militar Toyotomi Hideyoshi. Provavelmente em reação a sua crescente influência em Kyushu, entretanto, Hideyoshi posteriormente se voltou contra o Cristianismo, crucificando 26 cristãos em Nagazaki em 1597. Após ele se tornar de fato o mandante no Japão, em 1600, Tokugawa inicialmente tolerou os missionários, mas, em 1614, o governo de Tokugawa proibiu o Cristianismo e expulsou os missionários do Japão. Naquele momento existiam mais de 300 mil cristãos japoneses. É estimado que aproximadamente 3 mil tenham sido executados, e um grande número renunciou a sua fé com o resultado das perseguições. Muitos outros conciliaram suas crenças mantendo sua fé em segredo.

Reintrodução

Após o Japão ter abandonado a sua política de isolamento, os missionários estrangeiros voltaram em 1859, embora eles não fossem permitidos evangelizar abertamente até 1873. Durante esse período mais de 30 mil cristãos ‘ocultos’ se declararam abertamente; eles pertenciam a grupos que se reuniam para reuniões clandestinas durante mais de 200 anos de perseguição.
Missionários católicos e protestantes passaram a ser mais ativos a partir dessa época e, embora o número de convertidos tenha sido relativamente pequeno, os cristãos influenciaram na educação e no movimento de união comercial. O crescimento do nacionalismo e a promoção da afiliação aos templos Xintoístas como dever patriótico fizeram que os anos de 1930 fossem difíceis para muitos cristãos.

Após a II Guerra Mundial

As atividades cristãs logo após o período pós-guerra teve o auxílio das autoridades da ocupação, mas pequenos avanços foram observados. Em 2006, os cristãos somavam 3,03 milhões de pessoas, o que representa menos de 2,4 % da população.
Apesar da crescente popularidade das cerimônias de casamento no estilo cristão, o Cristianismo no Japão é ainda considerado por muitos japoneses como religião de estrangeiros. Como o conhecimento e interesse pelo Cristianismo têm crescido nos últimos anos as pessoas certamente estão um pouco mais familiarizadas com a religião. Essa familiaridade, entretanto, não foi traduzida em um aumento no número de adeptos. Uma razão possível para esse baixo crescimento é que a ênfase na crença exclusiva no Deus cristão requer um forte compromisso em renunciar ao politeísmo mais brando do Xintoísmo e do Budismo japonês.

Religião no Japão Hoje
Principais Correntes do Xintoísmo e do Budismo

A urbanização afastou muitos japoneses dos seus laços familiares com templos específicos do Budismo e do Xintoísmo. Ainda assim, muitas pessoas se consideram tanto xintoístas como budistas.

Sacerdote Budista em Treinamento Asceta
Sacerdote budista em um treinamento asceta
Um sacerdote com seu chapéu de palha assentado em meditação e oração pelas almas
(Foto cortesia da AFLO)

A estatística da Agência de Assuntos Culturais para 2011 mostra a membresia combinada de ambas as religiões em 187,4 milhões, cerca de 53% a mais do que o total da população do Japão. No sentimento religioso da maioria dos japoneses o Xintoísmo e o Budismo podem coexistir pacificamente sem conflito. Para uma pessoa comum, entretanto, a filiação religiosa não se traduz em uma frequência regular aos cultos. A maioria das pessoas visita os santuários e templos como parte dos eventos anuais e rituais de passagem mais marcantes.

Esses eventos anuais incluem os festivais do santuário e do templo, a primeira visita ao templo ou ao santuário do ano (hatsumode), e a visita ao túmulo da família durante o Festival Bom. Rituais comemorando os estágios da vida das pessoas incluem a primeira visita a um santuário pelo recém-nascido (miyamairi), o Festival do Santuário Shichi-go-san para os meninos de três e cinco anos e para as meninas de três e sete anos, a cerimônia de casamento Xintoísta, e o funeral budista.

Novas Religiões

O desenvolvimento mais notável da religião no Japão no século XX foi o rápido crescimento de novas religiões. Os ensinamentos dessas novas religiões se alinharam com uma ampla gama de tradições prévias, incluindo aspectos do Shito, Budismo, Confucionismo, Taoísmo religiões populares e Xamanismo. Os fundadores das novas religiões são geralmente reverenciados como deidades vivas (ikigami).

Uma das atrações das novas religiões para muitos é o senso de comunidade que elas dão às pessoas que perderam o apoio mental e espiritual que historicamente era dado pelos familiares, comunidade local ou pelas religiões tradicionais.

Kamidana
Kamidana
Um santuário em miniatura para adoração das divindades no lar

Os aspectos perigosos que o forte controle das novas religiões exerce sobre seus fiéis têm estado sob maior vigilância após o ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em março de 1995. O atentado matou 12 pessoas e feriu mais de 100. Esse ataque foi realizado pelo grupo religioso Aum Shinrikyo.

Instituições Religiosas no Japão

 

 Xintoísmo

 Budismo

 Cristianismo

 Outras

Santuários, templos, igrejas, outras organizações

88.591

85.439

9.344

38.107

Religiosos (sacerdotes, ministros, etc.)

76.190

348.662

35.129

216.560

Membros

102.756.326

84.652.539

2.773.096

9.435.317

Nota: Essa estatística está baseada em informações fornecidas pelas várias organizações religiosas. Elas podem alterar com o passar dos anos
Fonte: Agência de Assuntos Culturais, julho de 2012



Texto originalmente disponível em: https://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/religiao.html

Religiões de matriz africana: quais são e por que sofrem preconceito (Por Maria Luisa Pereira Oliveira)

 Acredito que você já deve ter ouvido sobre religiões de matriz africana, certo? No entanto, é importante entender como essas religiões são marcadas por um contexto histórico de distorções e intolerâncias religiosas. É imprescindível definirmos ainda o papel do racismo nessas perseguições e qual a relevância da discussão do tema.

Nesse texto, você irá compreender quais são as matrizes religiosas brasileiras, quais as religiões de matrizes africanas e sua relação com a intolerância religiosa, como são vistas essas religiões, quais as religiões que mais sofrem com essa intolerância e o que é o sincretismo religioso. Vamos lá?

Quais são as matrizes religiosas?

Religiões de matriz africana. Foto: Edna Lourenço / Arquivo Pessoal.
Imagem: Edna Lourenço / Arquivo Pessoal.

No Brasil diversas crenças ocupam um mesmo território e é possível afirmar que essa diversidade de credos e religiões marcaram a construção da cultura no país. Dessa forma, com o objetivo de abarcar toda essa multiplicidade foram estabelecidas algumas divisões, por meio de matrizes religiosas.

Por isso, as religiões brasileiras podem ser categorizadas em 4 matrizes, são elas: a indígena, ocidental, oriental e africana. Essas matrizes podem ser consideradas como um instrumento que objetiva agrupar religiões com aspectos e origens semelhantes, apesar de suas particularidades.

Assim, a matriz indígena, possui uma enorme variedade de religiosidades, visto que os povos indígenas são ligados a diversas etnias e têm costumes e dialetos distintos. Entretanto, há alguns elementos em comum em suas crenças, como o fato de serem ligadas ao sagrado natural e ao culto de ancestrais. Já a matriz oriental contempla as religiões monoteístas, ou seja, aquelas que acreditam em um único Deus. Portanto, dentro dessa matriz estão as religiões Cristãs, o Judaísmo e o Islamismo.

A matriz africana, por sua vez, contempla várias religiões como a Umbanda e o Candomblé. Essas são adaptações e reinvenções das diversas formas de crer dos povos africanos para cá trazidos para serem escravizados em meados do século XVI.

Por último, a matriz oriental, traz muitas religiões, mas a mais conhecida é o Budismo, sendo compreendidos também os Hare Krishna, Seicho-no-iê, Messiânica, e filosofias como o Taoísmo, Confucionismo, e o Xintoísmo.

Quais são as religiões de matriz africana?

As matrizes africanas deram origem a diversas manifestações sagradas no Brasil, além daquelas mais famosas como o Candomblé e Umbanda, existem adeptos de tradições como jarê, terecô e xangô de Pernambuco, o Batuque, do Rio Grande do Sul e o Tambor de Mina, variação do candomblé no Maranhão.

Essas tradições e religiões podem ser diferenciadas pelos seus rituais e história, possuindo diversas especificidades, ainda que compartilhem filosofias e influências similares advindas do continente africano.

Segundo o professor Juarez Xavier, da UNESP, as religiões de matriz africana podem ser divididas em três grupos: brasileiras, como a umbanda, afro-brasileiras, como o candomblé de caboclo, e afro-descendentes que, ainda que originadas no Brasil, reivindicam os processos de organização das religiões da África, como o ketu e o jêje.

O Candomblé, por exemplo, é um termo genérico usado para designar tradições criadas ou recriadas no Brasil por povos originários, principalmente, de países atualmente conhecidos como Angola, Nigéria e República do Benim. Dessa maneira, considera-se que, ainda que algumas tradições tenham sido criadas de forma única no Brasil, a religião resgata a herança cultura religiosa ancestral e milenar africana que chegou ao país no período da escravidão.

De acordo com Alexandre Cumino, “O candomblé faz parte de uma resistência espiritual dos povos africanos escravizados no Brasil”. É uma religião dividida entre três grandes nações, as quais se distinguem pelas divindades cultuadas e os idiomas utilizados nas celebrações religiosas, sendo elas a Nação Angola, Jeje e Nagô, as quais apresentam inúmeros subgrupos com características próprias.

Umbanda, por outro lado, foi fundada por um brasileiro, Zélio de Moraes, no dia 15 de novembro de 1908, constituída a partir de influências africanas, cristãs, espíritas e indígenas. Ela é caracterizada, ainda, como uma religião que adota comunicações com espíritos, fruto da influência do espiritismo, diferentemente do Candomblé.

Além disso, a Umbanda é uma religião monoteísta, isso significa dizer que reconhece a existência de um único deus chamado Olorum, abaixo do qual existem outras divindades cultuadas como os orixás (também cultuados no candomblé) e as entidades ou guias protetores (espíritos ancestrais). De acordo com Alexandre Cumino, apesar das religiões africanas não serem codificadas, ou seja, não possuírem livros sagrados e serem marcadas por tradições orais, a Umbanda estuda os livros de outras religiões e outros diversos de sua doutrina.

Como são vistas as religiões de matriz africana no Brasil?

Apesar de vários costumes derivados de religiões africanas terem sido incorporados e reproduzidos no Brasil, como o ato de pular sete ondinhas no ano novo e vestir-se de branco, muitas vezes as associações com essas crenças são perdidas e frequentemente apagadas. Assim, é importante analisar o contexto histórico brasileiro e como essas religiões foram inseridas nessa cultura.

Desse modo, observa-se que desde o período colonial brasileiro há a persistência de relações diretas entre o poder político e a religião católica, sendo essa a religião oficial nessa época. Para que pudessem manter suas referências e heranças culturais, as religiões africanas tiveram de ser recriadas e adaptadas ao novo contexto. Nele, celebrações de sua fé eram proibidas e consideradas como manifestações de feitiçaria ou associadas ao mal. Constata-se, portanto, que essas repressões e a criminalização de religiões de matrizes africanas remontam ao período escravocrata.

No ano em que a República foi proclamada no Brasil, em 1889, houve a separação formal entre a Igreja e o Estado e a introdução do princípio de laicização do Estado. Contudo, mesmo a Constituição de 1891 tendo abolido formalmente o conceito de religião oficial e propagado a liberdade a qualquer crença, essa prerrogativa não aconteceu de maneira efetiva.

Desse modo, religiões que possuíam caráter distinto da católica sofreram com perseguições, discriminações e preconceitos. Além disso, muitas das religiões de matriz africana não eram categorizadas no enquadramento de “religião” do Estado. Esse reconhecimento estatal só ocorreu em 1988, especialmente com os artigos 2155 e 2166, fruto de intensa mobilização por parte do movimento negro.

As discriminações e intolerâncias frequentes podem ser atreladas ainda ao racismo, visto que são fenômenos ligados à formulação colonial, a separação e a valoração racial negativa, as quais influenciam no entendimento da religião. Sob essa ótica, analisamos alguns elementos como o histórico de marginalidade ao qual essas religiões foram expostas, no sentido social e institucional, a demonização das entidades e divindades africanas e a criminalização do exercício religioso.

Isso demonstra, ainda, que essas religiões sofreram um histórico de tratamento, respaldado pelo racismo, pela sociedade brasileira, sendo vistas como manifestações incorretas, inferiores, perigosas e intoleráveis.

Religiões de matriz africana e intolerância religiosa

Em primeiro lugar, é importante definirmos o que é intolerância religiosa. Essa pode ser entendida como uma prática configurada pelo não reconhecimento da veracidade de outras religiões. Ligada a incapacidade dos indivíduos em compreenderem crenças e práticas diferentes das suas e nos casos concretos de manifestações de discriminações e intolerância no campo prático. Também estão conectadas com a perspectiva do poder e a relação entre dominante e dominado, pois sua atitude de intolerância só se pode promover aquele que tem mais poder.

Em relação aos casos de intolerância religiosa no Brasil, podemos citar os dados do Disque 100, criado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, os quais apontam 697 casos de intolerância religiosa entre 2011 e dezembro de 2015, a maioria registrada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Quais são as religiões que mais sofrem com a intolerância religiosa?

Ainda de acordo com pesquisas, constata-se que as religiões que mais são alvos da intolerância religiosa e da discriminação no Brasil são aquelas de matriz africana. Visto que de acordo com um levantamento feito pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa as religiões de matriz africana foram as que mais sofreram ataques no ano de 2021 no estado do Rio de Janeiro, sendo que de 47 denúncias 43 foram contra essas religiões.

Além disso, o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir), criado em 2012, registrou, no estado do Rio de Janeiro, 1.014 casos entre julho de 2012 e agosto de 2015, sendo 71% contra adeptos de religiões de matrizes africanas, 7,7% contra evangélicos, 3,8% contra católicos, 3,8% contra judeus e sem religião e 3,8% de ataques contra a liberdade religiosa de forma geral. No entanto, dentre as pesquisas citadas é sugerido uma subnotificação das denúncias.

Sincretismo religioso

Em relação ao sincretismo religioso é possível defini-lo como um fenômeno social que combina princípios de religiões diferentes, ou pode ser uma fusão de ideias heterogêneas, que acontece em todas as religiões. Sociologicamente, isso seria a fusão de dois ou mais elementos culturais opostos em um único elemento, porém, deixando alguns sinais de suas diferentes origens.

No entanto, devido a essa combinação, ou a fusão de elementos isolados, alguns sinais de sua origem ainda são detectados, de modo que o termo resultante tem um certo caráter “eclético”.

Como mencionado anteriormente, os escravizados quando trazidos à força ao Brasil, foram obrigados a adotar a fé oficial, ou seja, a católica. Mesmo assim, deram um jeito de continuar praticando seus costumes e crenças.

Dessa forma, a religião católica foi adotada de forma compulsória e o povo escravizado tinha de esconder suas práticas religiosas ou disfarçá-las para que conseguissem continuar a praticá-las, isso alterou e recriou algumas tradições que tiveram influências de outras religiões. Nesse contexto, o sincretismo religioso pode ser visto como uma forma de resistência na época do Brasil Colônia.

No entanto, especialistas apontam os efeitos negativos que o sincretismo teve nas práticas religiosas como exemplo do candomblé e da Umbanda. Observa-se que a abolição da escravidão ainda é um processo recente e que algumas reparações levaram tempo. Exemplo disso seria a comparação de santos católicos com orixás, os quais segundo a doutora e pesquisadora Cláudia Alexandre, tem origens e tradições completamente distintas e que essas trocas culturais, motivadas pelo processo de colonização, acabaram sendo inevitáveis.

Por esse motivo, atualmente é necessário que a sociedade revise as narrativas que basearam os estudos afro-brasileiros e que o sincretismo não é mais uma necessidade e precisa ser refutado. Desse modo, muitos grupos trabalham a ideia de dessincretização de práticas muito enraizadas nessas religiões.

Em resumo, cabe mencionar que o atual contexto ainda necessita de instrumentos capazes de minimizar a frequência com que as religiões de matriz africana sofrem com a intolerância e a discriminação. Sendo fundamental que o histórico de tratamento, a raiz desses pensamentos e a origem dessas violências seja observada, assim como o racismo religioso e o seu impacto na permanência dessas perseguições.

Esse debate levanta diversas questões acerca da necessidade da promoção efetiva da liberdade religiosa, a todas as crenças e a importância de desconstruir essas narrativas e inverdades acerca das religiões de matriz africana, as quais são tão enraizadas e naturalizadas na sociedade brasileira. Para isso, os desafios são muitos e complexos de resolver, mas alguns caminhos podem ser encontrados e a Politize! tem a missão de te ajudar a entendê-los.

E aí, conseguiu compreender quais são as religiões de matriz africana e como elas são afetadas pela intolerância religiosa? Deixe seu comentário sobre o tema!

Referências:
Texto originalmente disponível em: https://www.politize.com.br/religioes-de-matriz-africana/

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